
Os setores de suínos, aves e ovos terão um ano 2006 de crescimento generalizado em produção, consumo interno e exportações, assim como a projeção é que os números de 2027 também sejam positivos. As análises do cenário atual e a previsão para o próximo ano foram detalhadas nesta terça-feira, 28, pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) em entrevista coletiva à imprensa.
A entidade ainda demostrou preocupações com os problemas externos, como os conflitos geopolíticos, e internos, sobretudo o aumento do endividamento das famílias brasileiras, causado, principalmente, pelos desembolsos para as apostas esportivas online.
O Rio Grande do Sul é um dos três mais expressivos estados nos três setores, tanto na produção como exportação de carnes suína e de frango, além de ovos.
“Estamos confiantes em fechar um ano bastante positivo”, resumiu a análise dos três setores o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Para tanto, citou o dólar “competitivo” (para os embarques), os custos estáveis, visto os preços de soja e milho (componentes fundamentais para as rações), assim como, apesar dos efeitos do El Niño, de safras volumosas de grãos, inclusive com altos estoques de passagens do cereal e da oleaginosa.
Da mesma forma, destacou a situação extremamente confiável em relação à biosseguridade, enquanto outros grandes produtores globais, como a União Europeia, enfrentam milhares casos de influenza aviária, além de perdas para o calor e incêndios, o que prejudica a logística.
Em síntese, sobre 2026, Santin definiu como um ano “tranquilo, positivo”.
Carne suína: boa posição
Em relação à carne suína, a produção em 2026 deverá atingir 5,870 milhões de toneladas, expansão de 5% sobre o ano passado, e de 6,050 milhões em 2027, ou +3,1% a mais. Já em embarques, +5,9% neste ano, ou 1,6 milhão de toneladas, e +6,3% no ano que vem (1,7 milhão de toneladas).
“Mostra que o Brasil está bem posicionado e conquistou o terceiro lugar em exportações no ano passado”, lembrou Santin ao comentar os números dos negócios externos.
Nesta questão, ressaltou ainda a diversificação dos destinos, com referência à liderança das Filipinas, seguida do Japão, como principais clientes, assim como a mudança de status do Brasil para livre de febre aftosa sem vacinação, o que pode ampliar os embarques à China, hoje a terceira no ranking.
Frango: biosseguridade exemplar
Quanto ao frango, a projeção é de expansão de 5,6% em 2026 na produção, para 16,150 milhões de toneladas, e de 16,600 milhões em 2027 (+2,8%), enquanto em embarques, +10,5% a mais em 2026, ou 5,875 milhões de toneladas, e +3% em 2027, para 6,050 milhões de toneladas.
Sobre este setor Santin fez questão de ressaltar o padrão de biosseguridade da avicultura brasileira, sem casos de influenza em aviário comercial desde maio do ano passado, enquanto já se registrou no mundo, de janeiro a julho, 3.609 casos em 67 países, 1.428 dos quais apenas na Alemanha.
Quanto à União Europeia, Santin enfatizou o empenho e a expectativa do setor em oferecer garantias de conformidades quanto aos antimicrobianos, visto que o bloco anunciou que, por não ter garantias sobre a utilização destes produtos no Brasil, não mais vai comprar carnes e ovos do Brasil a partir de 3 de setembro.
“Se depender da nossa indústria, vamos retornar (a ter livre acesso).”
Ovos: mais consumo
Nos ovos, há uma previsão de encolhimento das exportações neste ano de 26,6%, para 30 mil toneladas (ante 40,894 mil em 2025), e ampliação de 15% no ano que vem, para 34,5 mil. Já na produção, estima-se ampliação de 4,1% neste ano, ou 64,8 bilhões de unidades, e de 2,6% em 2027, 66,5 bilhões.
As tarifas dos Estados Unidos, que já foi o maior mercado para o ovo brasileiro, explicam a queda nos embarques em 2026, mas Santin evidenciou a ampliação de 161% das vendas ao Chile no primeiro semestre ante o mesmo período de 2025, o que fez do país sul-americano o principal mercado.
Da mesma forma, citou o aumento do consumo interno, para a média de 301 ovos per capita (habitante/ano), maior que a média mundial, ante 288 em 2025 e uma projeção de 312 em 2027. “O ovo entrou para as mesas, definitivamente”, considerou.
Mercado doméstico
Em relação aos três setores, o dirigente da ABPA frisou que, apesar dos expressivos volumes exportados, inclusive com incrementos nas carnes suína de frango, o mercado doméstico tem sido atendido tranquilamente. Inclusive porque a receita das exportações ajudam a diminuir o custo de produção, o que leva a baratear as proteínas nas gôndolas dos supermercados.
Mas, neste contexto, reiterou a preocupação com o endividamento, inclusive pelo aumento das apostas das pessoas em bets durante a Copa do Mundo. “O ambiente de mercado não é positivo, infelizmente”, disse.
Porém, o dirigente prevê que programas governamentais como o Desenrola Brasil podem melhorar a situação econômica das famílias no segundo semestre e, assim, tornar 2027 um ano menos pressionado em relação a dívidas.