
As baixas temperaturas transformam a mesa da Serra Gaúcha. Quando o frio aperta, os pratos de raiz italiana voltam ao centro das refeições em cidades como Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Garibaldi e Flores da Cunha — uma herança da imigração que moldou a culinária da região e ganha força justamente nos meses mais gelados do ano.
O galeto é o nome mais lembrado da estação. Assado no espeto e temperado com ervas, costuma vir acompanhado da polenta, servida cremosa para enfrentar o frio ou grelhada, dourada na chapa. Juntos, formam a combinação que define o almoço de inverno em boa parte das cantinas serranas.
Mas o cardápio vai além da dupla. A sopa de capeletti, quente e reconfortante, é presença certa nas noites frias, assim como o tortéi de moranga, massa recheada típica da serra. O radicci, folha amarga refogada com bacon, equilibra os pratos mais pesados, e o sagu de vinho fecha a refeição como sobremesa clássica da estação.
Essa cozinha tem origem na imigração italiana iniciada no século 19, quando famílias vindas do norte da Itália se instalaram na região. Eram receitas de aproveitamento e fartura, pensadas para alimentar e aquecer durante invernos rigorosos — característica que se manteve viva nas mesas gaúchas até hoje.
No inverno, esses sabores deixam de ser só comida de casa e viram atração turística. Cantinas, restaurantes de galeto e o tradicional café colonial atraem visitantes que sobem a serra em busca do frio, do vinho e da fartura à mesa, num roteiro que une gastronomia e clima de montanha.
Para quem pretende aproveitar a temporada, vale planejar com antecedência: nos fins de semana de maior movimento, muitos estabelecimentos trabalham com reservas. Combinar o passeio com a colheita ou degustação em vinícolas da região é uma forma de transformar o prato quente em um programa completo de inverno.
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