Terça, 25 de Agosto de 2026

Prefeito de Criciúma passa 20 horas disfarçado como morador de rua

Prefeito de Criciúma passou quase 20 horas disfarçado de morador de rua para testar serviços da própria cidade. E no RS, algum prefeito faria igual?

Por: Renata Oliveira
22/06/2026 às 15h56
Prefeito de Criciúma passa 20 horas disfarçado como morador de rua

O prefeito de Criciúma (SC), Vaguinho Espíndola (PSD), passou cerca de 20 horas disfarçado de morador de rua para testar, sem ser reconhecido, os serviços de acolhimento do próprio município. A experiência ocorreu em 10 de julho de 2025 e foi divulgada por ele em vídeo nas redes sociais.

Caracterizado com barba e peruca postiças, maquiagem e roupas desgastadas, o prefeito percorreu quase 40 quilômetros pela cidade. Pediu esmola em um semáforo — arrecadou quase R$ 6 em quinze minutos — e recebeu comida e café de moradores que não faziam ideia de quem ele era.

Em um dos momentos mais marcantes, a própria esposa e os dois filhos passaram por ele sem reconhecê-lo. Ao Estadão, Espíndola resumiu a sensação ao dizer ter sentido "na pele o que é ser invisível". A ação só terminou quando uma equipe da assistência social o abordou na rua.

Segundo a prefeitura, Criciúma já oferece Centro POP, equipes de rua, refeições e abrigo, e o número de pessoas em situação de rua teria caído de 280 para 170 ao longo do ano. Com base na vivência, o prefeito anunciou que enviará à Câmara um projeto para autorizar a internação involuntária de dependentes químicos, além de reforçar as equipes de assistentes sociais e psicólogos voltadas à saúde mental.

O caso levanta uma pergunta que interessa diretamente ao gaúcho: algum prefeito do Rio Grande do Sul toparia fazer o mesmo? Ações em que gestores se passam por usuários dos próprios serviços ainda são raras no país e dividem opiniões — entre quem vê uma forma honesta de enxergar a ponta do atendimento e quem enxerga encenação para as redes sociais.

No RS, onde o frio intenso agrava a cada inverno a situação de quem vive nas ruas, a discussão sobre acolhimento e saúde mental segue atual. Para o leitor gaúcho, fica o convite à reflexão: que serviços a sua cidade oferece a quem está em situação de rua — e o que você faria ao cruzar com alguém pedindo ajuda no semáforo?

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