
O prefeito de Criciúma (SC), Vaguinho Espíndola (PSD), passou cerca de 20 horas disfarçado de morador de rua para testar, sem ser reconhecido, os serviços de acolhimento do próprio município. A experiência ocorreu em 10 de julho de 2025 e foi divulgada por ele em vídeo nas redes sociais.
Caracterizado com barba e peruca postiças, maquiagem e roupas desgastadas, o prefeito percorreu quase 40 quilômetros pela cidade. Pediu esmola em um semáforo — arrecadou quase R$ 6 em quinze minutos — e recebeu comida e café de moradores que não faziam ideia de quem ele era.
Em um dos momentos mais marcantes, a própria esposa e os dois filhos passaram por ele sem reconhecê-lo. Ao Estadão, Espíndola resumiu a sensação ao dizer ter sentido "na pele o que é ser invisível". A ação só terminou quando uma equipe da assistência social o abordou na rua.
Segundo a prefeitura, Criciúma já oferece Centro POP, equipes de rua, refeições e abrigo, e o número de pessoas em situação de rua teria caído de 280 para 170 ao longo do ano. Com base na vivência, o prefeito anunciou que enviará à Câmara um projeto para autorizar a internação involuntária de dependentes químicos, além de reforçar as equipes de assistentes sociais e psicólogos voltadas à saúde mental.
O caso levanta uma pergunta que interessa diretamente ao gaúcho: algum prefeito do Rio Grande do Sul toparia fazer o mesmo? Ações em que gestores se passam por usuários dos próprios serviços ainda são raras no país e dividem opiniões — entre quem vê uma forma honesta de enxergar a ponta do atendimento e quem enxerga encenação para as redes sociais.
No RS, onde o frio intenso agrava a cada inverno a situação de quem vive nas ruas, a discussão sobre acolhimento e saúde mental segue atual. Para o leitor gaúcho, fica o convite à reflexão: que serviços a sua cidade oferece a quem está em situação de rua — e o que você faria ao cruzar com alguém pedindo ajuda no semáforo?
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