Terça, 25 de Agosto de 2026

Pedágios, escolas e moradia colocam governo Eduardo Leite sob pressão no RS

Pedágios, escolas e moradia pressionam o governo Eduardo Leite no RS: CPI recomenda fim de concessões e leilão das escolas ocorre em 26 de junho.

Por: Renata Oliveira
20/06/2026 às 21h51
Pedágios, escolas e moradia colocam governo Eduardo Leite sob pressão no RS
Foto : Mauro Schaefer

O governo de Eduardo Leite (PSD) enfrenta, em junho, pressão simultânea em três frentes no Rio Grande do Sul: o modelo de pedágios, a parceria com a iniciativa privada na gestão de escolas estaduais e o uso de recursos da reconstrução em projetos de turismo. Os três temas mobilizam a Assembleia Legislativa, órgãos de controle e entidades da sociedade civil.

No caso dos pedágios, a CPI da Assembleia Legislativa aprovou, em 11 de junho, relatório final que recomenda o cancelamento das concessões dos Blocos 1 e 2 de rodovias estaduais. O documento aponta que, mais de três anos após o início da cobrança no Bloco 3, na Serra, nenhuma duplicação prevista foi concluída, enquanto as tarifas acumularam reajuste superior a 35%. O governador defende o modelo de concessões e afirma que o Estado não tem capacidade de bancar sozinho os investimentos nas estradas.

Na educação, o governo prepara para 26 de junho o leilão da Parceria Público-Privada (PPP) que prevê transferir à iniciativa privada serviços de 98 escolas estaduais, em 15 municípios, pelo prazo de 25 anos. Professores, estudantes, o CPERS-Sindicato e parlamentares de oposição promovem audiências e mobilizações contra a proposta, alegando risco de privatização e perda de autonomia das escolas. O Palácio Piratini sustenta que a parceria se restringe à infraestrutura e a serviços de apoio, sem interferência nas atividades pedagógicas.

O terceiro foco de tensão envolve a destinação de verbas da reconstrução. A deputada Laura Sito (PT) apresentou ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas um pedido de investigação sobre a previsão de até R$ 200 milhões do Fundo do Plano Rio Grande para subsidiar juros de financiamentos a grandes empreendimentos turísticos, parte deles na Serra Gaúcha. A parlamentar afirma haver descompasso entre esse direcionamento e a situação de famílias que ainda aguardam moradia após as enchentes de 2024. O governo nega irregularidades e diz que nenhum repasse foi feito e que os projetos seguem em análise técnica.

O cenário político também aparece nas pesquisas. Levantamento Genial/Quaest divulgado no fim de abril apontou que 49% dos eleitores gaúchos consideram que Leite não merece eleger um sucessor em 2026, ante 39% que avaliam o contrário. Sondagens de outros institutos mostram avaliação dividida do governo estadual, em um ambiente eleitoral ainda indefinido a poucos meses da disputa de outubro.

Os próximos dias devem concentrar definições importantes. O leilão das escolas está marcado para 26 de junho, enquanto o relatório da CPI dos Pedágios segue para o governo, o Ministério Público e o Tribunal de Contas. Moradores das regiões cortadas pelas concessões e comunidades escolares acompanham as audiências públicas, espaço aberto à participação da população.

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