
O inverno gaúcho aquece a procura por whisky e reacende uma velha dúvida no bolso do consumidor do Rio Grande do Sul: vale mais a pena o rótulo nacional ou o importado? Com o frio firme em boa parte do estado, a escolha passa por preço, paladar e, cada vez mais, pelo orgulho de um destilado feito na própria Serra Gaúcha.
O peso no bolso começa pela origem. O whisky importado chega mais caro ao Brasil justamente por causa dos impostos, da variação do dólar e do custo de logística, o que faz a mesma garrafa custar bem mais aqui do que no país de origem. Isso faz com que whiskies importados custem significativamente mais aqui do que em seus países de origem. Marcas tradicionais como Johnnie Walker, Chivas e Jack Daniel's circulam numa faixa ampla, que vai de pouco mais de cem reais a valores que passam de dois mil, dependendo da edição.
Do lado nacional, a conta tende a ser mais leve. O whisky nacional costuma ser mais barato, com garrafas de qualidade entre R$ 50 e R$ 150, opção mais acessível para o consumo frequente. Nos bares, rótulos populares como Natu Nobilis e Drury's saem por valores de dose camaradas, o que ajuda a explicar por que o nacional virou companhia comum nas noites frias.
A surpresa fica por conta de um produto gaúcho de raiz. A Union Distillery, marca genuinamente brasileira, nasceu em Veranópolis, na Serra Gaúcha, há mais de 70 anos e passou a produzir em Bento Gonçalves, no Vale dos Vinhedos, a partir de 2015. A destilaria aposta no malte ao estilo escocês e exporta para países como Japão, Argentina, Uruguai, Chile e Bélgica. Mesmo sendo single malt, segue acessível: os preços costumam variar entre cerca de R$ 172 e R$ 376, conforme o rótulo.
Na hora de decidir, vale separar ocasião e gosto. Para drinques, gelo e consumo do dia a dia no churrasco ou na lareira, o nacional cumpre bem o papel e poupa o orçamento. Já para presentear, celebrar ou apreciar puro, o importado entrega tradição e tempo de maturação que justificam, para muita gente, o preço mais salgado. O ponto que os especialistas reforçam é simples: valor alto nem sempre significa qualidade superior.
Para o consumidor gaúcho que quer aproveitar o inverno sem estourar o bolso, a dica é provar antes de cravar uma preferência. Um nacional bem escolhido pode surpreender no copo, e conhecer a Union — aberta à visitação na Serra Gaúcha — é um passeio que une frio, paisagem e a chance de degustar um whisky feito em casa.
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