
O frio intenso do inverno gaúcho, que costuma trazer geadas e temperaturas próximas de zero na Serra, tem um papel decisivo para a viticultura do Rio Grande do Sul. Nos vinhedos da Serra Gaúcha — maior região produtora de uvas e vinhos do país — as baixas temperaturas desta época do ano ajudam a preparar uma safra melhor para o ano seguinte.
Durante o inverno, as videiras entram em repouso vegetativo, uma espécie de hibernação em que a planta para de crescer e acumula energia. Para que esse descanso seja completo, a videira precisa de um período de frio — o que os produtores chamam de "horas de frio", contadas a partir das horas em que a temperatura fica abaixo de 7,2 °C.
Quanto melhor esse acúmulo de frio, mais uniforme tende a ser a brotação na primavera. Plantas que descansam bem brotam de forma pareja, florescem no tempo certo e produzem cachos mais homogêneos — fatores que pesam diretamente na qualidade da uva colhida no verão.
O frio rigoroso também ajuda a reduzir a pressão de pragas e doenças. As baixas temperaturas diminuem a sobrevivência de fungos e insetos que atacam os parreirais, o que pode significar menos necessidade de manejo e melhores condições sanitárias na safra seguinte.
O fenômeno é acompanhado de perto na Serra Gaúcha, que concentra a produção em municípios como Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Flores da Cunha e Garibaldi. Invernos amenos demais costumam preocupar o setor: sem frio suficiente, a brotação fica irregular e a planta gasta mais energia, o que pode comprometer o volume e a qualidade da colheita.
Para quem vive na região, o recado é positivo: o frio que aperta nas próximas semanas trabalha a favor de quem produz uva, vinho e suco. E, para o turista, o inverno segue como uma das melhores épocas para conhecer as vinícolas da Serra, mesmo fora do período de colheita.
Receba as principais notícias do Rio Grande do Sul em primeira mão.