Terça, 28 de Julho de 2026
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As 7 sopas e caldos que são tradição no RS onde comer e como fazer em casa gastando menos de R$ 30

Capeletti, caldo de feijão, sopa de pinhão e mais: os 7 pratos de inverno que são tradição no RS — com dicas de onde comer e como preparar em casa por menos de R$ 30.

Por: Renata Oliveira
05/06/2026 às 21h20
As 7 sopas e caldos que são tradição no RS onde comer e como fazer em casa gastando menos de R$ 30

Com o inverno chegando forte na Serra Gaúcha e nas noites frias do interior do Rio Grande do Sul, uma panela fumegando no fogão deixou de ser só conforto — virou ritual. E tem pratos que todo gaúcho reconhece de cor: o cheiro, a cor, o sabor que lembra casa da vó.

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Marli Scherer, moradora de Caxias do Sul, não perde um inverno sem preparar a sopa de capeletti. "Minha mãe fazia, minha vó fazia. A gente sente falta quando não tem", conta ela, que prepara o prato toda sexta-feira fria de julho. O melhor: com ingredientes simples, a panela para quatro pessoas sai por menos de R$ 30 — e ainda sobra para o almoço do dia seguinte.

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Se você também quer saber quais são essas receitas clássicas e onde encontrar as melhores versões no RS, confira a lista completa abaixo.

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1. Sopa de Capeletti — a rainha do inverno gaúcho

Impossível começar por outra. A sopa de capeletti é herança direta da imigração italiana e domina as mesas do nordeste do RS, especialmente na Serra Gaúcha. O segredo está no caldo: feito com carcaça de frango, cenoura, salsão e cebola por pelo menos duas horas no fogo baixo.

Os capeletti — aquelas bolinhas de massa recheada com carne — são cozidos direto no caldo, absorvendo todo o sabor. Uma panela generosa para quatro pessoas sai por cerca de R$ 25 a R$ 28 em ingredientes, dependendo da marca da massa.

Em Caxias do Sul, restaurantes tradicionais da região serrana servem a versão clássica como prato do dia às sextas de inverno. Em Bento Gonçalves e Garibaldi, o capeletti também aparece nos cardápios coloniais.

2. Caldo de Feijão com Linguiça — o clássico de boteco

Quem já passou uma tarde fria num bar de bairro em Porto Alegre conhece bem esse caldo. Feijão preto cremoso, rodelas de linguiça calabresa defumada, alho refogado e um fio generoso de azeite por cima. Simples, barato e impossível de parar na segunda concha.

O custo doméstico é um dos menores da lista: com menos de R$ 15, dá para fazer uma panela que serve bem quatro adultos. O segredo está em refogar o alho e a linguiça antes de adicionar o feijão já cozido — isso faz toda a diferença no sabor final.

Em Porto Alegre, o Mercado Público e a região da Cidade Baixa têm bares que servem o caldo de feijão como entrada nos dias mais frios. No interior do RS, é presença garantida nas festas comunitárias de julho.

3. Sopa de Mandioca com Costela — tradição do campo gaúcho

Esse prato veio das propriedades rurais do RS e nunca saiu de moda. A costela bovina — preferencialmente a janela — é cozida lentamente por horas até soltar do osso. A mandioca entra nos últimos 30 minutos, absorvendo o caldo rico e engrossando naturalmente o prato.

É um dos pratos mais fáceis de acertar em casa, desde que você tenha paciência com o tempo de cozimento. A costela com osso, comprada em açougues do interior, custa em média R$ 18 a R$ 22 o quilo — e uma peça pequena já resolve uma panela inteira.

Cidades como Vacaria, Lagoa Vermelha e Erechim têm essa sopa como item frequente em restaurantes de comida caseira, especialmente nos meses de junho e julho.

4. Caldo Verde — herança portuguesa que ficou

Apesar de origem portuguesa, o caldo verde se adaptou tão bem à culinária gaúcha que muita gente já considera "da casa". Batata cozida e batida no liquidificador com o próprio caldo, rodelas de linguiça calabresa e couve fatiada fininha. Cor verde, sabor profundo.

O prato é perfeito para dias em que a geada fecha a paisagem lá fora — e o custo é bem acessível. Uma panela para quatro pessoas fica em torno de R$ 20, e o preparo leva menos de 40 minutos.

Em Santa Maria e Pelotas, o caldo verde aparece em cafeterias e padarias tradicionais como opção de jantar nos dias frios.

5. Sopa de Legumes com Frango — a mais feita em casa

Cenoura, batata, abobrinha, chuchu, caldo de frango e pedaços de peito desfiado. Essa é provavelmente a sopa mais preparada nas casas gaúchas durante o inverno — e por boas razões: é leve, nutritiva, rende bastante e agrada toda a família.

O truque de muitas avós do RS é adicionar um punhado de arroz ou macarrão cabelo-de-anjo no final, deixando o caldo mais encorpado. Com pouco mais de R$ 20 em ingredientes, a panela alimenta uma família de quatro com sobra para o jantar.


6. Chupim — a sopa que poucos conhecem fora do RS

O chupim é um prato típico das regiões de colonização alemã no RS, especialmente no Vale do Taquari e Vale do Rio dos Sinos. Feito com miúdos de porco (fígado, coração, língua) cozidos em caldo temperado com vinagre, louro e pimenta, tem sabor marcante e aroma inconfundível.

É um prato que divide opiniões, mas quem cresceu comendo nunca esquece. Em municípios como Estrela, Lajeado e Encantado, o chupim ainda aparece em festas culturais e restaurantes coloniais como orgulho da culinária regional.

7. Sopa de Pinhão — a mais gaúcha de todas

Quando chega a temporada do pinhão — entre abril e agosto —, o RS vira outro mundo. E a sopa de pinhão é uma das formas mais saborosas de aproveitar o fruto da araucária, símbolo do estado.

O preparo é simples: pinhão cozido e descascado, caldo de carne caseiro, bacon em cubos, cenoura e tempero verde. O resultado é uma sopa encorpada, levemente adocicada e com textura única. Na Serra Gaúcha e nos Campos de Cima da Serra, restaurantes e pousadas servem a sopa como atração da temporada.

O pinhão fresco custa em média R$ 8 a R$ 12 o quilo nas feiras do RS — e uma receita caprichada para quatro pessoas sai por menos de R$ 30.

Essas sete receitas mostram como o Rio Grande do Sul tem uma cultura gastronômica de inverno rica, diversa e profundamente enraizada nas diferentes tradições que formaram o povo gaúcho — dos imigrantes italianos e alemães aos tropeiros do campo.

Se você quer aproveitar o inverno com mais sabor e gastar menos no processo, vale escolher pelo menos uma dessas sopas para fazer no fim de semana. A panela no fogo, o cheiro que toma conta da cozinha e a família reunida à mesa — esse é o inverno do jeito gaúcho.