Terça, 28 de Julho de 2026
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Frio intenso no RS eleva preço do trigo e já reflete no pão que chega à mesa dos gaúchos

O inverno rigoroso no RS está pressionando o preço do trigo nas lavouras gaúchas — e o impacto já chegou ao pão francês e à farinha no supermercado. Entenda a cadeia.

Por: Renata Oliveira
05/06/2026 às 21h09
Frio intenso no RS eleva preço do trigo e já reflete no pão que chega à mesa dos gaúchos

O inverno rigoroso que castiga o Rio Grande do Sul nas últimas semanas não está fazendo mal só a quem precisa ligar o aquecedor — está mexendo direto no bolso de quem vai à padaria todo dia. O preço do trigo subiu no mercado gaúcho, e os efeitos já chegam ao pão francês, ao macarrão e à farinha do supermercado.

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Quem sentiu na prática foi Silvana Rodrigues, dona de casa de Cruz Alta, uma das regiões mais frias do RS neste ano. "A padaria aqui do bairro aumentou o pão duas vezes em menos de um mês. A gente percebe, porque compra todo dia", conta ela. O que parece um reajuste corriqueiro tem explicação nas lavouras.

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O frio e a lavoura: uma relação direta

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O trigo é a principal cultura de inverno do Rio Grande do Sul, e o estado responde por boa parte da produção nacional do grão. Mas o frio intenso fora de hora — especialmente as geadas tardias que ocorreram em regiões do Planalto Médio e Missões — pode comprometer a qualidade do grão ainda em desenvolvimento nas lavouras.

Quando isso acontece, a oferta disponível de trigo de boa qualidade cai. Com menos produto apto para comercialização, os moinhos pagam mais caro pelo que sobra — e esse custo sobe em cadeia até chegar ao consumidor.

Segundo produtores rurais da região de Passo Fundo, referência no cultivo de trigo no RS, o clima deste ano exigiu mais atenção do que o habitual. "Tivemos geada em período crítico do desenvolvimento. Isso afeta direto o rendimento e a qualidade da farinha que vai ser moída", explica um triticultor da região que preferiu não se identificar.

Quanto isso representa no orçamento familiar?

Para quem compra pão todo dia, o impacto pode parecer pequeno no detalhe — mas soma no mês. Um quilo de pão que custava R$ 18 em muitas padarias gaúchas no início do ano já ultrapassa R$ 22 em diversas cidades do interior do RS. Isso representa uma alta de mais de 20% em poucos meses.

A farinha de trigo de 5 kg, item básico de quem cozinha em casa, também registra reajustes. Em redes de supermercado do RS, o produto passou de uma média de R$ 14 para valores entre R$ 17 e R$ 19, dependendo da marca e da cidade.

Para quem produz em maior escala, o impacto é ainda maior. Padeiros e confeiteiros do interior gaúcho relatam que a farinha representa até 35% do custo total de produção — qualquer variação no preço do trigo muda a conta do mês inteiro.

O trigo importado entra na equação

Parte do trigo consumido no Brasil vem da Argentina e do Paraguai. E aí entra outro fator: o câmbio. Com o dólar pressionado, o trigo importado também fica mais caro em reais, o que reduz a margem dos moinhos para absorver a alta sem repassar ao consumidor.

O resultado é uma combinação pouco favorável para o bolso do gaúcho: produção local pressionada pelo frio, importação encarecida pelo câmbio e demanda doméstica que não cai — porque pão é item básico, independente da estação.

A tendência para os próximos meses

Especialistas do setor de grãos acompanham a evolução da safra com atenção. Se as condições climáticas melhorarem nas próximas semanas e a colheita — prevista para o segundo semestre — não sofrer perdas adicionais, a tendência é de estabilização dos preços ainda em 2025.

Mas se as geadas continuarem afetando as lavouras gaúchas, o reajuste pode se consolidar e tornar o preço atual o novo patamar. Produtores e cooperativas do RS já trabalham com cenários alternativos para minimizar perdas.

O que fazer enquanto isso?

Para quem quer economizar sem abrir mão do pão de cada dia, algumas opções práticas ajudam. Comprar em padarias que produzem no local — geralmente mais baratas do que redes — e optar pela farinha de marca própria dos supermercados são estratégias simples que fazem diferença no orçamento mensal.

Fazer pão em casa também voltou a ser uma alternativa atrativa para famílias gaúchas que dispõem de um pouco de tempo. Com menos de R$ 5 em ingredientes, é possível produzir um pão caseiro que substituiria o que custaria o dobro na padaria.

Se você mora no RS e percebeu o aumento no carrinho de compras, fique de olho na colheita do trigo gaúcho nos próximos meses — ela vai ditar o preço do pão na sua mesa até o fim do ano.