Quarta, 28 de Outubro de 2026

Geada no RS: como proteger pasto, trigo e rebanho no inverno

Geada pode derrubar produção de leite em 30% e queimar o pasto em horas. Veja o que produtores do RS estão fazendo para proteger rebanho e trigo antes do frio.

Por: Renata Oliveira
03/06/2026 às 22h07
Geada no RS: como proteger pasto, trigo e rebanho no inverno

Uma geada forte queima o pasto em poucas horas. Para o produtor de leite ou de gado de corte no Rio Grande do Sul, isso significa um problema que não para na porteira: menos forragem disponível, animais com fome, queda na produção e custo de suplementação que pode chegar a R$ 800 por cabeça no inverno.

Nas regiões de Lagoa Vermelha, Soledade, Carazinho e no Alto Uruguai, onde o frio aperta mais cedo, os criadores já estão tomando as primeiras providências. Quem espera a geada chegar para agir, chega atrasado.

O que a geada faz com o pasto — e por que o gado de leite sofre mais

O azevém e o trevo branco, as pastagens de inverno mais comuns no RS, toleram geadas leves. Mas quando a temperatura fica abaixo de -3°C por mais de três horas, a folha da planta "queima" — ela murcha, escurece e perde o valor nutricional antes mesmo de secar.

Para o gado leiteiro, o impacto é imediato. A vaca em lactação precisa de uma quantidade mínima constante de matéria seca de qualidade para manter a produção. Com o pasto danificado, a queda começa em 24 a 48 horas — e recuperar o nível de produção depois leva dias, às vezes semanas.

Já no gado de corte, o efeito é mais lento, mas igualmente caro: o animal para de ganhar peso, ou até regride, quando a alimentação cai abaixo do exigido. Em confinamentos parciais no RS, produtores relatam que cada dia de estagnação no ganho de peso representa prejuízo direto no lote.

As estratégias que os gaúchos estão usando antes da geada

A primeira providência é simples e eficaz: diversificar as pastagens de inverno. Produtores que combinam azevém com aveia-preta e ervilhaca têm mais resiliência porque cada espécie responde diferente às baixas temperaturas. A aveia, por exemplo, tolera até -5°C sem perda significativa — algo que o azevém não aguenta.

A segunda estratégia, cada vez mais adotada na região da Serra Gaúcha e no Planalto, é a divisão de piquetes com pastejo rotacionado. Com áreas menores e rotação mais curta, o produtor evita que o animal destrua a planta no momento em que ela está mais frágil — exatamente o período pós-geada, quando a pastagem tenta se recuperar.

Para quem trabalha com leite, a palavra de ordem é antecipar a suplementação. Não esperar o pasto acabar para começar a oferecer silagem ou feno. Vaca estressada por fome produz menos por muito mais tempo do que o período em que ficou sem comer.

Silagem: o seguro alimentar do inverno gaúcho

Produtores mais estruturados no RS já fizeram essa conta há anos: a silagem de milho produzida no verão é o que sustenta o rebanho quando o pasto falha no inverno. O custo médio de produção de silagem no RS fica entre R$ 150 e R$ 200 por tonelada — bem abaixo do custo de comprar volumoso no mercado durante o inverno, quando o preço pode dobrar.

O problema é que pequenos produtores muitas vezes não têm estrutura para ensilar, e acabam pagando mais caro justamente quando mais precisam. Uma alternativa que cresce no RS é a silagem em consórcio — grupos de produtores vizinhos que dividem o custo de ensilar e partilham o produto conforme a necessidade de cada um.

O trigo também está na mira

Além do pasto, o trigo — que ainda está em desenvolvimento em boa parte do RS nesta época — também sente o impacto da geada nas fases de afilhamento e espigamento. Uma geada com temperatura abaixo de -2°C durante o espigamento pode comprometer toda a formação do grão, sem possibilidade de recuperação.

Produtores que plantaram trigo em áreas de baixada, onde o ar frio se acumula primeiro, são os mais vulneráveis. A recomendação de técnicos da Emater-RS é monitorar a previsão do tempo com pelo menos 48 horas de antecedência e, se possível, priorizar o pastejo nessas áreas antes da geada — aproveitando a forragem antes que ela seja perdida.

Mais tecnologia chegando ao campo gaúcho

Nas últimas safras de inverno, cooperativas como a Cotripal, a Copercampos e a Coopersulca passaram a disponibilizar alertas meteorológicos específicos por região, com notificação via WhatsApp quando a temperatura de risco se aproxima. O serviço é gratuito para associados e permite que o produtor tome decisões com até 18 horas de antecedência.

Parece pouco — mas no campo, 18 horas é a diferença entre salvar ou perder uma pastagem que levou semanas para crescer.

Se você cria gado de leite ou de corte no RS e ainda não tem um protocolo definido para o inverno, vale uma visita ao escritório da Emater da sua cidade ou uma conversa com a cooperativa regional. O atendimento é gratuito e o planejamento feito agora pode evitar um prejuízo considerável nas próximas semanas.

Impacto nas exportações ainda é muito precoce Foto : ABPA / Divulgação / CP
Rural Há 1 semana

Caso de doença de Newcastle em SC deixa setor gaúcho em alerta

Asgav informou que adotará medidas de contingência para que embargos comerciais não afetem o RS.

Foto: Divulgação / Acontece no RS
Espumoso / RS Há 2 semanas

Secretário de Agricultura de Espumoso conhece experiência de confinamento bovino na Serra Gaúcha

Fábio Ceccon, secretário de Agricultura de Espumoso, conhece confinamento bovino de Daiane Kunrath e Gabriel na Serra Gaúcha e destaca a gestão rural.

Crédito da foto: Luísa Zelmanowicz
Agronegócio Há 3 semanas

Cliente mundial nunca esteve tão pronto para a Carne Angus Certificada do Brasil

A segurança para colocação dos cortes Angus e como ela pode suscitar novos incrementos de produção foi a tônica do Workshop Carne Angus, realizado na noite desta terça-feira (6/10), na Associação Rural de Pelotas, durante a 100ª Expofeira.

Crédito da foto: Divulgação/Minerva Foods
Agronegócio Há 3 semanas

Concurso de Carcaça Angus tem prêmio inédito em insumo para nutrição animal e chega a sete estados até o fim do ano

O concurso reúne produtores de diferentes regiões do país em torno da avaliação de carcaça, um encontro que também serve para medir a evolução da raça na produção de carne de qualidade, da genética ao acabamento das carcaças.

Crédito da foto: Jean Segata
Pelotas / RS Há 4 semanas

Workshop Carne Angus debate oportunidades e perspectivas do mercado premium na Expofeira de Pelotas

A iniciativa integra a programação da 20ª Exposição Nacional de Curral das raças Angus e Ultrablack e ocorre durante a edição centenária da Expofeira de Pelotas, na Associação Rural.