
O Rio Grande do Sul produz algumas das melhores cachaças e aguardentes do país — e boa parte delas custa menos de R$ 120 a garrafa. Com o inverno chegando forte na Serra, no Vale dos Vinhedos e nas cidades do interior, a temporada é perfeita para conhecer o que os alambiques gaúchos têm de melhor.
Marcos Fontana, produtor rural de Caxias do Sul, não troca a sua cachaça artesanal da Serra por nada importado. "A gente tem produto aqui que concorre com qualquer coisa que vem de fora. Só falta as pessoas conhecerem", diz ele, que há três anos visita alambiques da região nas férias de julho.
O hábito de Marcos está se espalhando. Cada vez mais gaúchos estão redescobrindo as destilarias locais — seja em visitas guiadas, feiras de produto artesanal ou simplesmente buscando uma boa garrafa para o chimarrão frio da tarde.
1. Cachaça Ivoti Ouro — Ivoti/RS Produzida em alambique de cobre no Vale do Caí, a Ivoti Ouro fermentou com leveduras nativas e envelheceu em barril de carvalho por 24 meses. O resultado é uma bebida com notas de baunilha e caramelo, suave no final. Premiada em concurso nacional em 2023, custa em torno de R$ 85 em empórios da região metropolitana de Porto Alegre.
2. Aguardente Serra Gaúcha Prata — Bento Gonçalves/RS Para quem prefere o sabor mais fresco e encorpado da prata, esta aguardente de Bento Gonçalves é produzida com cana colhida à mão e destilada em coluna de cobre. Limpa, com leve toque cítrico, é a escolha de bartenders gaúchos para caipirinhas de inverno. Preço médio: R$ 65.
3. Cachaça Arroio Grande Envelhecida — Pelotas/RS Produzida na Metade Sul, essa cachaça envelhece em barris de amburana — madeira nativa que dá um toque adocicado e especiado característico. É uma das favoritas entre os apreciadores da região de Pelotas e Bagé. Encontrada por cerca de R$ 95 em casas especializadas.
4. Alambique do Gaucho Carvalho — São Francisco de Paula/RS Os Campos de Cima da Serra têm clima que favorece o envelhecimento lento das cachaças. Esta expressão em barril de carvalho francês passou 36 meses em adega e saiu premiada em São Paulo em 2024. Complexa, com final longo e notas de especiarias. Vale os R$ 115 que custa.
5. Cachaça Serrana Duplo Madeira — Gramado/RS A mais turística da lista, produzida por uma família italiana que se instalou na Serra há quatro gerações. A versão Duplo Madeira passou por barris de carvalho e cerejeira, resultando numa bebida com cor âmbar intensa e aroma de frutas secas. Custa R$ 110 e está disponível na loja da própria destilaria, que recebe visitantes de quinta a domingo.
O que está movimentando o setor no RS
Nos últimos dois anos, o número de alambiques registrados no Rio Grande do Sul cresceu mais de 30%, segundo dados da Associação Gaúcha de Produtores Artesanais. O estado hoje tem destilarias ativas em pelo menos 40 municípios — da fronteira com o Uruguai até a Serra Gaúcha.
Concursos como o Brasileiro de Cachaça e o Sul-Americano de Destilados têm incluído cada vez mais rótulos gaúchos entre os premiados, o que antes era raridade dominada pelos produtores mineiros e paulistas.
Para enólogos como Renata Bosa, de Flores da Cunha, a virada veio com a valorização do produto regional. "O gaúcho aprendeu a olhar para o que tem aqui dentro de casa. A cachaça artesanal do RS está no mesmo caminho que o vinho fez há 30 anos", avalia ela, que hoje organiza roteiros de degustação pela Serra.
Onde encontrar e como aproveitar
A maioria dessas cachaças e aguardentes pode ser encontrada em empórios de produtos coloniais, feiras de artesanato e lojas especializadas em bebidas nas principais cidades do RS. Porto Alegre, Caxias do Sul, Pelotas e Santa Maria concentram boa parte dos pontos de venda.
Quem quiser ir além da compra pode planejar uma visita a algum alambique da Serra ou do Vale do Caí — muitos oferecem tours gratuitos ou com custo simbólico nos finais de semana de julho.
Se você é gaúcho e ainda não conhece o que os alambiques do RS estão produzindo, este inverno é um bom momento para começar — com uma garrafa que vale mais do que o rótulo, e muito menos do que você imagina.