
O prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr., assegurou, hoje, que o sistema de saúde da cidade só não saturou porque a administração adotou uma série de medidas, um mês atrás, para frear a propagação do novo coronavírus. De acordo com ele, Porto Alegre vem conseguindo achatar a curva de contágio desde o primeiro caso confirmado, em 11 de março.
“Se não tivéssemos tomado as medidas nos prazos em que tomamos não teríamos mais leitos de UTI disponíveis para pessoas que necessitassem deles. Nós já estaríamos negando respiradores para quem necessitasse viver. Esse fato (só) não acontece na cidade porque fizemos esse isolamento em um momento adequado”, avaliou Marchezan.
Porto Alegre dispõe de 470 leitos de UTI adulto e outros cem para casos graves em pediatria. Como os hospitais Santa Casa e Clínicas oferecem leitos públicos e privados, a Prefeitura estima que, desses 570, 170 sejam particulares. Desde o primeiro caso confirmado da doença, a capital já contabilizou oito mortes.
Mesmo mencionando que a curva de contágio vem sendo achatada, Marchezan lamenta a falta de capacidade para testar a população. “O Brasil demorou muito para validar os testes, que não eram validados pela Anvisa. Agora, o mercado de testes explodiu”, criticou.
As medidas restritivas, que envolvem o funcionamento do comércio em geral, vão perdurar até 30 de abril em Porto Alegre, seja qual for o posicionamento do governador, cujo decreto para o setor vence nesta quarta-feira. Marchezan assegurou que o isolamento em Porto Alegre não termina antes de maio, mesmo que Eduardo Leite flexibilize as regras em uma nova decisão.
“Os decretos estaduais nem sempre servem especificamente para Porto Alegre. A cidade precisa de uma regulamentação específica. Por isso, vamos continuar acompanhando os dados na cidade para que possamos tomar uma decisão”, afirmou.
Ao frisar que a pandemia impactou economicamente todo o mundo, Marchezan lamentou ter que projetar um déficit de R$ 1 bilhão nas contas da prefeitura em 2020. “Essa é uma crise mundial e não local. Vai nos faltar R$ 1 bilhão. Por isso, a gente vai ter que revisar todos os contratos da Prefeitura. Iríamos entregar o maior investimento em saúde, segurança e social da cidade”, pontuou, ao garantir que eisso não vai ser mais possível.
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