
O soldado Cristiano Domingues Francisco, 39 anos, demonstra emoção apenas ao lembrar do filho de nove anos, enquanto segue no Batalhão de Polícia de Guarda (BPG), unidade prisional da Brigada Militar, em Porto Alegre. Ele está preso temporariamente ali desde 10 de fevereiro, apontado como suspeito do desaparecimento da ex-esposa Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e dos pais dela, Isail e Dalmira de Aguiar, respectivamente 69 e 70 anos, entre os dias 24 e 25 de janeiro, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana. Nega qualquer participação no crime.
Cristiano Domingues está em uma galeria junto a outros dois PMs, ambos detidos preventivamente por infrações da Lei Maria da Penha. Eles têm direito a duas horas diárias de banho de sol no pátio. No resto do tempo, a orientação médica é que exercitem hábitos de leitura. O comportamento dos três é considerado calmo por funcionários.
Cristiano não faz comentários do sumiço da família Aguiar, tampouco demonstra incomodo em relação ao caso. Essa aparente frieza é vista como padrão por outros integrantes da corporação, tendo em vista que ele também recebeu treinamento militar, incluindo na supressão de emoções. As poucas vezes em que expressa sentimentos são aos sábados, no turno de visitação.
Na manhã de 14 de março, ao receber a companheira Milena Ruppenthal Domingues, com quem é casado desde dezembro de 2022, a saudade do filho levou Cristiano às lagrimas. Ele teria demonstrado inconformismo com o fato de o menino não poder ir ao estabelecimento prisional nos dias de visita, somente em datas específicas, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente.
O menino é fruto do antigo de relacionamento com Silvana. Segundo a Polícia Civil, disputas entre Cristiano e a ex em relação ao filho teriam motivado o crime. O divórcio do casal ocorreu pouco após o nascimento da criança, mas a 2ª DP de Cachoeirinha aponta que a dupla ainda mantinha atritos.
O inquérito cita que Silvana procurou o Conselho Tutelar, relatando que o menino teria intolerância à lactose e que o ex ofereceria ao filho alimentos impróprios, o que a família do PM nega, afirmando ter laudo médico que comprovaria inexistência de restrições. Silvana desapareceu após 15 dias da denúncia.