
Em paralelo com o aumento da tarifa da passagem de ônibus em Porto Alegre – de R$ 5 para R$ 5,30 a partir de 19 de fevereiro –, o transporte individual por táxi também terá reajuste: a bandeirada passa de R$ 6,95 para R$ 7,24. O reajuste é de 4,26%, o que equivale a inflação do período entre janeiro e dezembro do ano passado. O quilômetro rodado na bandeira 1 (das 6h01 às 19h59) será de R$ 3,62. Já na bandeira 2 (das 20h às 6h, aos sábados a partir das 15h, domingos e feriados), o valor será de R$ 4,71.
A mudança tem sido vista de maneira positiva pela categoria, que justifica o reajuste anual com base na inflação do período. Adão Ferreira de Campos, diretor-presidente do Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre (Sintaxi), lembrou que os as tarifas estavam há um ano sem o reajuste. Com a definição determinada pelo IPCA, a inflação acumulou 4,26% para os táxis. "Não é um reajuste, mas uma recomposição. Ela ainda está um pouco defasada, mas devido à situação econômica do país, a gente está colaborando. Para nós, o 4,26% vai dar leve equilíbrio à situação", afirma. O percentual do reajuste foi aceito em grande parte pela categoria.
Antes das alterações do ano passado, os táxis tiveram um intervalo de sete anos sem reajuste. "Ali já estava quase quebrando o sistema. Mas aí tivemos um diálogo com o poder público e conseguimos encontrar um equilíbrio para que o sistema continuasse sobrevivendo", afirmou o presidente.
Ainda que os ônibus tenham o reajuste, as lotações devem seguir com o mesmo valor - pelo menos neste ano. Isso porque a Associação dos Transportadores de Passageiros por Lotação (ATL POA) não deseja aplicar o percentual da nova tarifa para compor o valor das passagens, principalmente por conta do momento de crise em que vive o sistema, afirma o presidente da Asociação, Magnus Isse. "O ônibus foi subsidiado, e está sendo subsidiado há muito tempo, e nós não temos esse subsídio. Se começarmos a aumentar a nossa tarifa, ela vai ficar inviável para o usuário", afirma.
"Estamos vivendo um momento muito difícil"
Segundo o presidente, com os cálculos, a tarifa oficial seria entre R$ 10 e R$ 11. "Quem é que iria andar conosco com uma tarifa de R$ 10 ou R$ 11, sendo que a do ônibus vai ser R$ 5,30?", questiona. O último reajuste na passagem foi feito em 2022. "A gente está lutando para manter o sistema. Porque está muito difícil. Concorremos com um transporte subsidiado, não tem compromisso, não tem vistorias, não tem leis sociais, funcionários, não tem nada", disse.
Ainda que o número de passageiros tenha diminuido - cerca de 55% desde a pandemia, afirma Magnus, e intensificado após as enchentes, há passageiros que preferem as lotações aos ônibus, como mulheres. "A enchente, para nós, foi muito prejudicial, porque muitas casas comerciais e empresários sofreram perda quase total dos seus empreendimentos e não voltaram mais. Isso fez com que o movimento de pessoas diminuísse bastante".
Há uma possibilidade de que, no ano que vem, seja discutido o aumento da passagem, dependendo do valor dos insumos, como combustível, pneu, peças e a folha de pagamento. "Esse ano, com certeza, a gente não vai aumentar a tarifa. No ano que vem, a gente vai discutir", afirmou. "Estamos lutando juntamente com a prefeitura para achar uma solução mais viável para o sistema de lotação".