
O Rio Grande do Sul deverá produzir 38,9 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/2026, alta de 8,4% em relação ao ciclo anterior. A área está estimada em 10,3 milhões de hectares, uma redução de 2,8%. Os dados constam no 5º Levantamento da Safra, divulgado nesta quinta-feira pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O estado permanece como o terceiro maior produtor de grãos do país, atrás de Mato Grosso e Paraná, mesmo diante dos impactos recorrentes da instabilidade climática sobre a produtividade.
“O Rio Grande do Sul segue tendo um papel central na produção de alimentos do país. Mesmo diante dos desafios climáticos enfrentados nos últimos anos, o produtor gaúcho demonstra capacidade de recuperação, planejamento e adaptação”, destaca o presidente da Conab, Edegar Pretto.
Principal cultura do Rio Grande do Sul, a soja deverá ocupar 6,8 milhões de hectares, redução de 3,7% na área plantada em comparação à safra passada. A produção está estimada em 21,4 milhões de toneladas, alta de 28,7%, sustentada pela recuperação da produtividade, projetada em 3.129 kg/ha. A semeadura já alcançou 99% da área prevista. Ao final de janeiro, cerca de 23% das lavouras estavam em início de enchimento de grãos, 34% em florescimento e 43% em desenvolvimento vegetativo, com maior concentração nas fases de pré-florescimento.
A área destinada ao arroz irrigado foi estimada em 905,2 mil hectares, queda de 6,5%, com produção prevista de 7,5 milhões de toneladas, redução de 13,6%. A semeadura está 100% concluída. Ao final de janeiro, aproximadamente 7% das lavouras estavam em enchimento de grãos, 38% em florescimento e 55% em desenvolvimento vegetativo.
Já o milho 1ª safra registrou crescimento expressivo de área, estimada em 817,1 mil hectares, aumento de 14,2%. A produção está projetada em 5,4 milhões de toneladas. A semeadura atingiu 98% da área prevista e a colheita já alcançava 33% da área cultivada ao final de janeiro. Do total ainda em campo, 25% das lavouras estavam em maturação, 28% em enchimento de grãos, 6% em florescimento e 8% em desenvolvimento vegetativo.
Somando a 1ª e a 2ª safra, o feijão (preto e cores) no Rio Grande do Sul deverá ocupar 43,9 mil hectares, com produção estimada em 73,6 mil toneladas. Na 1ª safra, a área foi estimada em 25,1 mil hectares, retração de 7,4%, com produção prevista de 44,6 mil toneladas, queda de 12,2%. Já na 2ª safra, a cultura apresenta expansão, com área estimada em 18,8 mil hectares, alta de 22,9%, e produção projetada em 28,9 mil toneladas, crescimento de 27,3%. Na 1ª safra, a semeadura do feijão-cores foi concluída dentro da janela preferencial, e as lavouras encontram-se em desenvolvimento vegetativo, com realização de tratos culturais, especialmente o controle de plantas daninhas. No feijão-preto, o plantio também foi finalizado, e a colheita, iniciada em dezembro, já alcança cerca de 60% da área estimada.
Entre as culturas de inverno, as primeiras estimativas, elaboradas com base em modelos estatísticos, indicam redução na área e na produção de trigo para 2026. A cultura deverá ocupar 1,04 milhão de hectares, retração de 10,3%, com produção estimada em 3,03 milhões de toneladas, queda de 15,3% em relação ao ciclo anterior.
A aveia apresenta área estimada em 372,1 mil hectares, redução de 7,4%, e produção prevista de 869,2 mil toneladas, queda de 11,8%. Na cevada, a área deve crescer 9,9%, alcançando 34,5 mil hectares, enquanto a produção está estimada em 101,7 mil toneladas, redução de 7,7%.
Já a canola registra expansão de 30,4% na área cultivada, totalizando 273,7 mil hectares, com produção estimada em 443,1 mil toneladas, alta de 30,2%, consolidando-se como alternativa de diversificação e renda no estado.
No Brasil, a estimativa da Conab é de uma produção recorde de 353,4 milhões de toneladas de grãos na temporada 2025/2026. O volume é 0,3% maior do que o ciclo 2024/2025. A área plantada deve chegar a 83,3 milhões de hectares, alta de 1,9% em relação ao ciclo passado. Na produtividade, a média nacional das lavouras tende a apresentar um recuo de 1,5%, ficando em 4.244 quilos por hectares no atual ciclo.
“Temos um cenário climático favorável nesta safra, em que pese eventos climáticos desfavoráveis, de forma pontual, o que contribui para a manutenção de boas produtividades no país. Ao mesmo tempo, seguimos atentos aos desafios relacionados aos custos de produção e à renda do produtor”, avalia Pretto.