
Dois feminicídios foram registrados em menos de 24 horas na zona Sul de Porto Alegre. No último domingo, Josiane Natel Alves, de 32 anos, foi morta com golpes de faca, no bairro Campo Novo. Depois, na tarde seguinte, Paula Gabriela Torres Pereira, de 39 anos, também morreu esfaqueada, no bairro Chapéu do Sol.
Paula Gabriela foi assassinada por volta das 16h45min dessa segunda-feira, enquanto estava em uma parada de ônibus na Avenida Juca Batista. De acordo com a Polícia Civil, o suspeito é um homem de 50 anos, ex-companheiro dela. Eles disputavam na Justiça a guarda da filha de cinco anos.
Conforme o advogado Almir Sarmento Silva Filho, que atuava em nome de Paula, ela deixa mais duas filhas, de 12 e 15 anos, fruto de outros relacionamentos. Mesmo desempregada, garantia o sustento familiar através de recursos da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS). Havia medida protetiva de urgência em vigor contra o ex.
"Eu estava ajudando a Paula com vagas de emprego, sem que perdesse os direitos do Loas. Era uma pessoa doce, que abraçava e beijava a todos. Também era muito sensível, se emocionava e chorava fácil. Sempre simpática, tudo o que queria era trabalhar e ser feliz”, pontuou o advogado.
Almir Sarmento ainda pretende auxiliar a filha mais velha de Paula, por meio do programa Jovens Aprendiz. “Seria uma homenagem à memória dela. É preciso acabar com a cultura macabra de feminicídios, que atingem não são só as mulheres, mas também seus filhos, pais e irmãos. Toda a sociedade sofre com essa doença”, lamentou o profissional.
Conforme a Polícia Civil, Josiane manteve relacionamento por um mês com o sujeito, que somava antecedentes por crimes diversos. Os dois estavam separados há uma semana, com a recusa dele em aceitar o término. Não havia medida protetiva.
Segundo uma vizinha, Josiane deixa mais dois filhos, além da filha adolescente. "Ela fazia bolos para vender, como forma de sustentar a família. Todos os filhos dela eram de outro casamento”, disse.
Pelo menos cinco feminicídios já foram registrados neste mês no Rio Grande do Sul. Com isso, desde o início do ano, a média é de quatro mulheres assassinadas a cada cinco dias em território gaúcho.