
A maior gestora de ativos privados do país, a Itaú Asset Management, dá um passo firme rumo ao universo digital com a criação de uma divisão especializada em criptomoedas.
O Brasil continua consolidando sua posição como um dos líderes emergentes na adoção global de criptomoedas — e uma de suas instituições financeiras mais influentes não pretende ficar para trás.
A Itaú Asset Management, braço de gestão de investimentos do gigante bancário Itaú Unibanco, anunciou a criação de uma divisão dedicada exclusivamente ao desenvolvimento e à administração de produtos financeiros baseados em criptoativos.
Essa nova estratégia surge como resposta à crescente demanda dos brasileiros por investimentos em ativos digitais, em um contexto regulatório que começa a oferecer maior clareza ao mercado.
Sob a liderança de João Marco Braga da Cunha, ex-executivo da Hashdex — empresa especializada em criptoinvestimentos —, o Itaú está estruturando uma unidade com foco abrangente em produtos digitais.
Não se trata apenas de permitir a compra e venda de Bitcoin ou Ethereum pelo aplicativo do banco, mas de construir uma plataforma robusta e com oferta diversificada: desde instrumentos de renda fixa baseados em blockchain até produtos derivativos que exploram a volatilidade inerente desses mercados.
“O segmento de ativos cripto possui características únicas para gerar alfa”, afirmou Cunha, destacando a capacidade desses instrumentos de oferecer retornos diferenciados em carteiras de investimento diversificadas.
Essa visão posiciona o Itaú não só como pioneiro entre os grandes bancos brasileiros, mas também como protagonista em um momento de transformação na forma como as instituições tradicionais se relacionam com as finanças descentralizadas.
O ecossistema financeiro brasileiro amadureceu rapidamente nos últimos anos — e o reconhecimento internacional veio na mesma velocidade.
De acordo com o Índice de Adoção Global de Cripto 2024 da Chainalysis, o Brasil ocupa a décima posição no ranking mundial, refletindo seu crescente protagonismo no cenário global de ativos digitais.
Parte desse avanço se deve à implementação, em 2023, de uma legislação abrangente que conferiu ao Banco Central a responsabilidade de regular os provedores de serviços de ativos virtuais.
Esse novo arcabouço regulatório trouxe mais confiança ao mercado, permitindo que instituições como o Itaú inovem em um ambiente mais seguro e previsível. O resultado? Maior inclusão financeira e acesso ampliado a investimentos digitais para a população em geral — não apenas para investidores institucionais.
Apesar do avanço, o cenário cripto brasileiro ainda enfrenta obstáculos. Um dos pontos mais controversos é a recente implementação de um imposto de 17,5% sobre os ganhos de capital em transações com criptomoedas.
A medida gerou preocupações entre investidores, que agora precisam avaliar com mais cautela o impacto tributário de cada operação em suas estratégias financeiras.
Diante desse contexto, a aposta do Itaú na transparência, na inovação e na conformidade regulatória se mostra fundamental para manter o dinamismo do setor.
A instituição busca se firmar como um agente confiável em um ambiente que, embora repleto de oportunidades, exige clareza nas regras e compromisso com as melhores práticas internacionais.