
Os preços da indústria brasileira recuaram 0,30% em maio, puxados principalmente pela queda no setor de alimentos, segundo o Índice de Preços ao Produtor (IPP) divulgado nesta terça-feira (30) pelo IBGE. O resultado interrompe a alta de 2,62% registrada em abril.
O IPP mede os preços dos produtos na porta da fábrica, sem impostos e fretes. Em maio, sete das 24 atividades industriais pesquisadas tiveram queda. Os alimentos foram o maior destaque: o setor recuou 2,05% no mês e respondeu sozinho por boa parte da retração do índice geral.
Entre os produtos que ficaram mais baratos na indústria estão o leite UHT (longa vida), o açúcar e o café torrado e moído. Segundo o IBGE, a queda do açúcar acompanha o avanço da safra da cana, enquanto o recuo do café está ligado ao período de colheita. Nos dois casos, a valorização do real frente ao dólar também ajudou a derrubar os preços. No leite, o instituto aponta o recuo no preço do leite cru pago ao produtor.
O movimento toca diretamente o Rio Grande do Sul, um dos maiores produtores de leite do país. Preços mais baixos na porta da fábrica costumam aliviar o custo lá na frente, no supermercado, mas apertam a renda de quem produz no campo — um equilíbrio sempre delicado para o agronegócio gaúcho.
Nem tudo caiu. As indústrias extrativas tiveram a maior baixa do mês (-5,90%), acompanhando o mercado internacional de petróleo e minério, enquanto borracha e plástico (4,80%) e outros produtos químicos (2,14%) subiram, pressionados pela instabilidade no Oriente Médio. No acumulado do ano, a indústria registra alta de 4,80%; em 12 meses, a variação é de 1,99%.
Para o consumidor, o efeito não é imediato: a queda na indústria leva semanas para chegar à prateleira, quando chega. A próxima leitura do IPP, com os dados de junho, está prevista pelo IBGE para 31 de julho.
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