Quarta, 29 de Julho de 2026
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Bairro Humaitá e Vila Farrapos têm êxodo de moradores após dilúvio comprometer estrutura de casas

Dois meses após enchente, zona Norte de Porto Alegre soma estabelecimentos fechados e casas vazias.

Por: Redação Acontece no RS Fonte: Correio do Povo
11/07/2024 às 21h12
Bairro Humaitá e Vila Farrapos têm êxodo de moradores após dilúvio comprometer estrutura de casas
Silviano José Mendes da Silva trabalha com reforma de casas destruídas na enchente | Foto: Camila Cunha

Centenas de pessoas ainda não conseguiram retornar para casa na zona Norte de Porto Alegre. No bairro Humaitá e na Vila Farrapos, mesmo após dois meses da enchente que devastou a região, ainda há uma miríade de imóveis vazios. Isso porque o dilúvio, além ter arrastado a mobília e deformado o piso, também comprometeu a estrutura das residências, tornando-as inabitáveis.

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Nesta quinta-feira, no entorno da Arena do Grêmio, o movimento outrora incessante na avenida Padre Leopoldo Brentano não somava mais do que um punhado de pessoas. A maior parte delas era composta por funcionários e donos de estabelecimentos, que ainda não conseguiram voltar ao trabalho mas se esforçam para retirar a lama que permanece impregnada em paredes, pisos e calçadas.

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Quase todos os bares e restaurantes ainda estão de portas fechadas mas, sem exceção, a totalidade das fachadas ainda tem marcas do lodo e da água suja que extravasou de bueiros. Além dos funcionários, a outra metade de quem estava no local era formada por pedreiros, marceneiros e outros trabalhadores contratados na esperança de reformar casas destruídas pela força da água.

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Há imóveis em estado irrecuperável de devastação. Destroços de residências feitos de madeira se somam ao lixo em vias adjacentes à rua Voluntários da Pátria. Ali, há casas que foram transformadas em escombros e terão que ser reerguidas do zero.

Silviano José Mendes da Silva, de 59 anos, mora na região e presta serviços de reforma aos vizinhos. Ele conta que em todos os locais onde a água derrubou muros, também comprometeu a estrutura e o interior dos imóveis.

“Muros caídos no chão são significam residências comprometidas. Isso porque, se a água teve força para derrubar muralhas, certamente também atingiu vigas e pilastras. Alerto as pessoas para que não tentem fazer remendos. Não vale a pena colocar a vida em risco. Se a casa não tem salvação, é melhor procurar outro lugar para viver”, recomendou.

O homem denuncia que os moradores estão com dificuldade para receber auxílio de recursos estaduais e alerta para o abandono da Vila Farrapos. Após alguns minutos de justificada revolta, ele se emociona ao lembrar de vizinhos idosos que perderam tudo.

"A força deles é impressionante. Não sei de onde tiram tanta vontade e perseverança para se reerguer. Para isso, contamos apenas com a ajuda dos moradores. Recebemos o auxílio federal, mas não o estadual. Cadê o pix do Governo do Estado? Além disso, o que a prefeitura está fazendo por nós?”, questiona o morador, em prantos.