
Após novas inundações, moradores aproveitaram a trégua da chuva nesta quinta-feira para tentar reduzir o acúmulo de água e lixo na Vila Farrapos, na zona Norte de Porto Alegre. No dia anterior, o extravasamento de bueiros chegou a alagar o interior de residências no entorno da rua Voluntários da Pátria, gerando ainda mais transtornos na região.
Uma das áreas que ficou novamente inundada foi a Vila Tecnológica, localidade que fica no coração da Vila Farrapos. Ali, poças e entulhos cercam uma praça entre as ruas Maria e Sidnei Lima. Além disso, a lama também encobre e toma conta da paisagem.
O pintor Rodrigo Dias, 28 anos, alerta que uma das razões que fez a água subir foi o excesso de lodo, que entope encanamentos e prejudica a operação das bombas de drenagem. Ele destaca ainda que o acúmulo de lixo nas vias também gera inundações.
“Quando houve recuo da enchente, em maio, os moradores começaram a retirar o lixo do interior das residências e depositaram em calçadas. Sem a coleta, a chuva leva os resíduos para os bueiros, que entopem e extração”, explicou o morador.
A dona de casa Maria Paz Severo, de 70 anos, mora na Vila Farrapos há 40. Ela relata que a sensação de abandono dos moradores se soma ao medo constante de inundações.
“Não vivemos mais, apenas vegetamos. Passamos os dias esquecidos em meio aos entulhos. Sentimos medo sempre que chove. A situação está terrível”, disse a idosa.
Pontos de acumulo de lixo também voltou a ser visível na avenida Padre Leopoldo Brentano, no entorno da Arena do Grêmio. Antes do último alagamento, o local havia passado por uma operação de limpeza feita por soldados do Exército Brasileiro.
Uma das poucas bases de apoio na Vila Farrapos é o ginásio esportivo que fica na esquina da avenida AJ Renner com a rua Adelino Machado de Souza.
O local tem sido centro de apoio para vítimas do dilúvio. É lá que 25 pessoas se dedicam à entrega de doações como colchões, cestas básicas, itens de limpeza, galões de água, entre outros produtos essenciais.
As ações são coordenadas pelo empresário Jader Lewis, de 38 anos. Ele é responsável por distruir donativos para uma população que soma aproximadamente 30 mil moradores.
“A principal demanda são os itens de limpeza. A Vila Farrapos ainda está repleta de lixo e lama, sendo que os produtos para limpar dificilmente tem duração além de um dia”, afirmou o voluntário.