
A Polícia Civil anunciou, em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira, o desfecho do caso do desaparecimento da advogada Alessandra Dellatorre. Após quase dois anos de buscas, uma ossada encontrada no dia 7 de junho deste ano, em uma área de mata fechada de Sapucaia do Sul, foi identificada como sendo da advogada. A confirmação foi feita pelo Instituto Geral de Perícias (IGP) através de exames como a análise da arcada dentária.
Ela estava desaparecida desde a tarde do dia 16 de julho de 2022, quando saiu para caminhar no bairro Cristo Rei, em São Leopoldo, sem levar celular, relógio ou outro objeto eletrônico que pudesse auxiliar em sua localização.
Conforme o delegado Mário Souza, chefe da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), não há indícios de crime no local onde os restos mortais foram encontrados. “Não há ossos quebrados ou trincados, nem sinais de tiros ou facadas, por exemplo. A roupa estava colada ao corpo, o que não indica violência”, disse Souza. O corpo foi localizado próximo a um muro em uma área militar de difícil acesso, que não é usualmente utilizada para caminhadas.
A investigação inicial estabeleceu a última rota de Alessandra, a partir das imagens de câmeras de segurança que a capturaram caminhando na Avenida Unisinos, que indicavam a possibilidade de ela ter entrado na área de mata na divisa entre São Leopoldo e Sapucaia do Sul. Dias após o desaparecimento ser confirmado, uma grande operação de buscas chegou a ser realizada pelas forças policiais.
Uma testemunha relatou ter visto Alessandra passando pela área de mata, antes de ela possivelmente adentrar ainda mais na vegetação densa até o local onde seus restos mortais foram encontrados, a cerca de 1900 metros.
Militares que realizavam uma limpeza na área encontraram a ossada, o que levou a Polícia Civil a iniciar diligências imediatas e a solicitar prioridade ao IGP para a análise dos restos mortais. Segundo as informações divulgadas pelos investigadores, o esqueleto estava praticamente completo e em fase de esqueletização avançada, sem tecidos moles, impossibilitando exames complementares como toxicológicos, que indicariam caso ela tivesse ingerido algum tipo de substância que pudesse ter causado o óbito.
A localização dos restos mortais de Alessandra encerra o mistério do desaparecimento, mas a ausência de sinais de violência não descarta a necessidade de mais investigações. A Polícia Civil abrirá um novo inquérito para apurar as causas e circunstâncias da morte. “Serão feitas novas perícias e diligências para desenhar todo o cenário”, acrescentou Souza. Ele destacou que a investigação seguirá sob sigilo. “Nesse momento os indícios enfraquecem a possibilidade de que tenha ocorrido crime, mas a Polícia Civil não descarta nenhuma linha de investigação”.
Durante a coletiva, o delegado ressaltou que, desde o início, a investigação considerou Alessandra como desaparecida viva e que a Polícia Civil seguiu diversos protocolos de proteção para ela e sua família. “O desaparecimento dela envolveu um cenário complexo, inclusive com buscas fora do estado”, explicou.
O corpo de Alessandra já foi entregue à família, que agora aguarda o desenrolar das novas investigações para esclarecer definitivamente as circunstâncias de sua morte. Outros detalhes em relação ao caso foram protegidos pela polícia durante a coletiva, em respeito aos familiares da vítima.
O subchefe da Polícia Civil, delegado Heraldo Guerreiro, destacou a importância do trabalho da Polícia Civil na elucidação do caso. A delegada titular da DHPP de São Leopoldo, Mariana Studart, que dirigiu a investigação, afirmou que “o caso seguirá na segunda parte da investigação que é esclarecer o contexto da morte”, concluiu