
A quinta-feira (30) marcada pela presença do sol e de temperatura amena permitiu que moradores do bairro Humaitá, na zona norte de Porto Alegre, ampliassem as ações de limpeza de residências e estabelecimentos afetados pela enchente que assolou o Estado no mês de maio. Na região, assim como na Vila Farrapos, houve um recuo de aproximadamente 20 centímetros do nível de água.
Nas duas localidades, principalmente nas imediações da Arena do Grêmio e da BR-448, o nível chegou a ultrapassar a marca de dois metros de altura. No entorno do estádio gremista, a água deu lugar a materiais descartados por moradores da região. Porém, residências em ruas próximas dali ainda são atingidas pela água.
A avenida Voluntários da Pátria foi tomada por uma ação coletiva de limpeza. Muitos eram moradores de outros pontos da cidade, incluindo localidades igualmente afetadas, como o bairro Sarandi.
A auxiliar de saúde bucal Kelin Simon Muller, 38 anos, teve a casa, que fica na Voluntários, invadida pela água. Ela, o marido e o filho ficaram 19 dias no segundo andar da residência. Durante o período, a família acolheu 20 pessoas, incluindo uma criança recém-nascida.
Foi depois disso que ela e o marido decidiram sair e ir para a casa de um familiar, na Região Metropolitana. Agora, de volta, deram início a limpeza do local, que também serve de espaço para um salão de festas da família.
— Nós não saímos pelo medo de ter a casa roubada. Acolhemos essas 20 pessoas e ficamos com o nosso primeiro andar tomado pela água. Graças a Deus, a água só chegou no primeiro andar aqui de casa. Por sorte, temos muitos amigos e estamos limpando tudo para recomeçar — afirma.
Kelin contou à reportagem de GZH que familiares e amigos fizeram doações durante o período em que permaneceram no bairro. Foram esses mantimentos que permitiram atender as pessoas com quem dividiram o espaço.
— A gente vê, com certeza, a vida com outros olhos. O povo nos ajudou e nós juntamos dinheiro para comprar materiais de limpeza para ajudar outras pessoas atingidas. A minha empresa me ajudou desde o primeiro momento. Mesmo a gente passando por dificuldades, solidariedade também pode ser colocada em primeiro lugar — contou.
Moradora do bairro Sarandi, Kelly Soares da Silva, de 34 anos, ainda não voltou para casa. O local em que reside fica perto do dique do Sarandi, que apresenta extravasamento em quatro trechos.
Quando deixou a residência, a água estava acima do peito. Por imagens, depois de 20 dias, viu que o nível pouco baixou e está quase alcançando o telhado da moradia.
Na Vila Farrapos, ainda há pontos que só são possíveis de acessar de barco. Entre os motivos para a dificuldade no escoamento da água na região, está o não funcionamento da Estação de Bombeamento de Água Pluvial (Ebap) número 8, que fica na região.
O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) não estabeleceu um prazo para fazer o religamento da unidade, que é considerada pequena pela autarquia, mas que segue com um nível elevado no entorno.