
A morte do médico capixaba Leandro Medice, de 41 anos, que estava na última segunda-feira em um abrigo do Rio Grande do Sul, atuando como voluntário, causou espanto e comoção em todo País. A suspeita é que ele tenha sofrido um mal súbito enquanto dormia.
Quase sempre o evento é associado ao infarto, mas, segundo a cardiologista Tatiane Emerich, nem todo mal súbito é infarto.
“O infarto pode ser um dos tipos de mal súbito. Mal súbito, na verdade, é um sintoma, não é uma doença. E esse sintoma pode acontecer com várias doenças”, explicou a médica durante entrevista no Estúdio Tribuna Online.
Ela destacou que o infarto é a principal causa de morte súbita. Acidente vascular cerebral e a trombose pulmonar são exemplos de outras doenças que podem causar o mal súbito.
A Tribuna - Todo mal súbito é infarto?
- Tatiane Emerich - Não. O infarto pode ser um dos tipos de mal súbito. Mal súbito, na verdade, é um sintoma, não é uma doença. E esse sintoma pode acontecer com várias doenças. Você pode ter um mal súbito, que é a perda de consciência súbita, quando, por exemplo, tem uma hipotensão (queda da pressão). Você também pode ter um mal súbito em um AVC, um infarto – que é a principal causa – ou uma trombose pulmonar. Temos várias causas.
- O infarto, realmente, é a principal causa do mal súbito?
O infarto é a principal causa de morte súbita. A morte súbita é quando a pessoa começa ter sintomas, a passar mal, uma hora antes de morrer. Se a pessoa estava bem 24 horas antes e foi encontrada morta, consideramos uma morte súbita.
- Como identificar os sinais de um mal súbito?
A pessoa pode apresentar uma sensação de desmaio, que é vista turva, tontura, suor frio, falta de ar, dor no peito. Isso tudo podem ser indícios de que a pessoa vai ter um mal súbito.
- É possível confundir mal súbito com cansaço extremo?
Consideramos o cansaço aquele diferente do habitual. Esse cansaço que chama a atenção precisa ser investigado. Então, se a pessoa está acostumada a todo dia fazer aquela atividade e de repente não dá conta, é preciso procurar atendimento para entender o que está acontecendo.
- Os exames estão em dia, ainda assim posso ter um mal súbito?
O fato da pessoa estar com o check-up em dia diminui muito a chance de um mal súbito. Mas, mesmo fazendo todos os exames, ainda podemos ter, por exemplo, um pico hipertensivo, um rompimento de um vaso, levando a um AVC.
Pode até mesmo romper uma placa de gordura que já existia ali na coronária, mas ela era pequena e não causava problema, porém, por um estresse maior, ela rompe e causa um infarto fulminante. Então, às vezes, mesmo com todos os exames em dia, há situações que a gente ainda não consegue prever.
- O mal súbito pode ser decorrente de fortes emoções mesmo sem doenças prévias?
Sem ter doenças prévias é muito difícil uma pessoa ter uma morte súbita. Mas o mal súbito, aquele mal-estar com sensação de tontura e desmaiar por uma forte emoção, isso pode acontecer.
- Crianças podem ter mal súbito?
Podem. A morte súbita ou mal súbito podem acontecer em todas as idades. Quando falamos que a principal causa é o infarto, estamos associando aos idosos, porém, todas as idades podem ser submetidas ao mal ou morte súbita, porque temos as doenças genéticas. A pessoa pode nascer com uma alteração no coração que vai provocar uma arritmia, podendo ocasionar a morte súbita.
- Qual a relação da apneia do sono com possíveis eventos cardiovasculares?
Hoje temos definido a importância do sono na cardiologia. Por exemplo, quem dorme mal tende a ser mais hipertenso; quem tem apneia do sono tende a ter mais arritmias. Em geral, quem dorme mal e tem apneia do sono também tem obesidade. Todas essas doenças são fatores de risco que estão associadas a um problema cardíaco. É preciso diagnosticar e tratar a apneia do sono.
- Qual é o procedimento de emergência recomendado para casos de mal súbito?
A primeira coisa é pedir ajuda e ligar para um serviço de urgência e emergência. Se a pessoa souber, pode ir fazendo as manobras de ressuscitação enquanto o socorro chega.
- Como prevenir?
A principal prevenção é cuidar da saúde diariamente. A pessoa deve praticar atividades físicas, ter uma alimentação saudável, não fumar, dormir bem, conhecer os fatores de risco, como hipertensão e diabetes, e fazer exames específicos. Quem tem históricos familiares de morte súbita é super importante ter um cuidado maior.