
Dionatha Bitencourt Vidaletti, réu por triplo homicídio, negou ter executado três pessoas da mesma família após uma briga de trânsito em 2020 no bairro Lami, na zona Sul. Ele admite ter alvejado as vítimas, mas alega que agiu em legítima defesa. A mãe dele é ré por ter efetuado um disparo a esmo.
O acusado também alega ter sido agredido pelo casal Fabiana da Silveira Innocente Silva, de 44 anos, e Rafael Zanetti Silva, de 45, e pelo filho mais velho deles Gabriel, de 20.”Fui empurrado e caí no chão. Eles me chutaram quando eu estava caído. Então ouvi o disparo feito pela minha mãe. Entrei no carro com ela. Quando eles abriram a porta para pegá-la, atirei”, disse.
O réu afirma que a arma era do pai dele. Ele se recusou a responder as perguntas do MPS. “Não foi um ato pensado. No susto, ao ver que eles estavam agredindo a minha mãe, efetuei os disparos”, alegou ao ser questionado pela defesa.
Antes do crime, segundo a denúncia, o carro das vítimas colidiu contra o dos réus e houve perseguição. Quando as vítimas estacionaram, houve uma discussão. A ré teria sacado um revólver e efetuado um disparo no chão. O réu então arrancou a arma da mão dela e atirou contra a família.
No início da sessão, a promotora Lúcia Helena Callegari reproduziu o áudio de uma das vítimas pedindo socorro em uma ligação ao 190. É possível ouvir disparos de arma de fogo ao final da gravação. “É um crime bárbaro, um processo muito triste. Me chama a atenção o fascínio que a família do réu tinha por armas e a sucessão de fatos levando à morte três pessoas desarmadas”, afirmou a promotora.
Mais cedo, a testemunha de acusação, delegado Rodrigo Pohlman Garcia, responsável pela investigação fez uma análise da precisão do manuseio da arma. “Ele poderia ter atirado em outra direção. Os disparos dele foram direcionados às vítimas e em áreas letais do corpo”, destacou.
O júri é presidido pela juíza Anna Alice Schuh no Foro Central de Porto Alegre. O conselho de sentença é formado por sete juradas. A previsão é de que o julgamento dure dois dias.