
Uma casa de 420 m² encravada no meio da mata de Mairinque, no interior de São Paulo, foi cuidadosamente projetada para respeitar e se integrar à natureza do entorno, tanto que foi batizada de Casa Silvestre pelo escritório Conrado Ceravalo (@conradoceravolo), responsável pelo projeto.
A residência de veraneio de uma família, composta por um casal e duas filhas, foi posicionada no início do terreno para capturar a luz natural da manhã e criar uma atmosfera acolhedora.
"Ao mesmo tempo, essa posição bloqueia a incidência do sol poente, que é mais intensa durante a tarde", explica o arquiteto João Conrado, sócio do escritório, que contou com a colaboração de Renato Rouxinol (estrutura), Rocha Machado Engenharia (construtora) e GFortes Engenharia (estrutura de concreto).
A construção foi apoiada no desnível do terreno por meio de três lajes para preservar a topografia existente. Um piso ficou para a cobertura, e os outros dois, apoiados no primeiro e no segundo declive abrigam a área íntima – uma suíte e um quarto – e a parte social da casa. O mezanino recebeu ainda a sala de TV, que pode se transformar em quarto de hóspedes quando necessário.
Localizada em um terreno privilegiado, a casa foi pensada para proporcionar uma experiência de total imersão total na natureza, com uma conexão contínua entre o interior e o exterior. "Como um extenso e unificado terraço", compara o arquiteto Gabriel Ceravolo, sócio do escritório.
Por essa razão, é composta por grandes vãos de vidro, que possibilitam a contemplação da vegetação da Mata Atlântica da maioria dos cômodos – exceto banheiros, lavabos e quartos –, assim como o fácil acesso à piscina.
A arquitetura contemporânea ganhou forma com elementos de serralheira, caixilhos, paredes e revestimentos de ripas de madeira ecológica. "Buscamos assegurar tanto a estética quanto o conforto, bem como alcançar resultados ideais em termos de isolamento térmico e privacidade", diz Gabriel, que destaca ainda a instalação de placas solares sobre a casa, pensando na sustentabilidade.
Na decoração, o uso de ripas de concreto instaladas nas paredes, cimento queimado no piso e caixilhos pretos trazem um ar industrial na medida, já que esse estilo encontra perfeita sintonia e aconchego na marcenaria executada em folha natural carvalho americano e alguns pontos de MDF preto, como no corredor de acesso aos quartos.
Esse "casamento" entre vidro, cimento, madeira e preto ganhou elementos neutros, como os brises e os painéis em réguas, além de pitadas de tons terrosos no mobiliário, cuja curadoria valorizou o design brasileiro.