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"Levou uma parte de nós", diz pai de menina morta em creche de Saudades

Evandro Sehn invadiu a escola ao não receber notícias da filha e reconheceu corpo da bebê Sarah Luiza assim que entrou na sala, ao notar penteado de cabelo que ele e a esposa haviam feito.

06/05/2021 09h24 Atualizada há 1 mês
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Por: Redação Acontece no RS Fonte: GAÚCHA ZH
Com a mão esquerda, Evandro Sehn acariciava a cabeça de Sarah. Sua filha de um ano e oito meses foi assassinada na creche André Ávila / Agencia RBS
Com a mão esquerda, Evandro Sehn acariciava a cabeça de Sarah. Sua filha de um ano e oito meses foi assassinada na creche André Ávila / Agencia RBS

O olhar congelado do homem para o túmulo da filha, com os olhos vermelhos de cansaço e choro, mãos na cintura e postura de quem tentava não desabar apesar de estar no pior momento de sua vida era perturbador durante o velório das cinco vítimas da chacina de Saudades, oeste de Santa Catarina. Pai de Sarah Luiza Mahle Sehn, assassinada com apenas um ano e oito meses, Evandro Sehn, 35 anos, tentava assimilar o que ocorreu na manhã de 4 de maio.

— Caiu o mundo — repetia incrédulo o homem, na manhã desta quarta-feira (5).

O pai, que é motorista de van escolar, contou à reportagem de GZH que soube do ataque por amigos, mas nenhum deles havia informado o estado da filha. Foi quando decidiu ir pessoalmente até o local, ainda na manhã de terça. Evandro acabou confirmando que a filha estava morta após ele mesmo entrar na escolinha Aquarela, que já conhecia.

— Eu corri atrás dela, ninguém me deu resposta. Fui até o hospital, voltei e na verdade invadi a Aquarela. Fui lá ver, tinha que tirar essa dúvida. Vim a mil por hora. Infelizmente, não deu tempo, ela estava morta — lamentou.

A cena mais marcante ao ver a filha, reconhece ele, foi quando identificou o penteado que havia sido feito antes de ela ir para escola:

— Vi o cabelinho dela, as duas chuquinhas que foram feitas de manhã no cabelinho.  

Sarah Luiza era a única filha dele e da esposa. Eles planejavam ter filhos há muito tempo, e acompanhavam o crescimento dela com orgulho.

Ela havia começado na creche há cerca de um mês. Os pais precisavam trabalhar e, por isso, deixavam a menina na escolinha pela manhã. Ao meio-dia, o pai a buscava para que ela ficasse na casa de uma das avós.

Extremamente abalado, Evandro decidiu não prolongar a conversa com a reportagem, que durou menos de três minutos. Os outros familiares próximos também preferiram não falar.

– A memória que fica é de uma menina esperta, feliz, educada. Vai ficar os vídeos, as fotos que tiramos com ela. Levou uma parte de nós junto. Podemos aproveitar só um pouco dela – finaliza.

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