Sábado, 08 de Agosto de 2026
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Mulheres se destacam na liderança de empresa produtora de tecnologia

Celebrado em 8 de março, o Dia Internacional das Mulheres é um convite para debater as lutas femininas, inclusive no mercado de trabalho; progresso...

Por: Redação Acontece no RS Fonte: Agência Dino
07/03/2023 às 18h55
Mulheres se destacam na liderança de empresa produtora de tecnologia
Divulgação

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicado em 2021, apontou que 63% dos cargos gerenciais são ocupados por homens. As mulheres atuavam somente em 37%. O índice baixo revela ainda um problema maior: o mesmo estudo, na edição de 2018, indicava a presença de 39% de mulheres em cargos gerenciais. Ou seja, o número, que já era baixo, ainda caiu 2% nos últimos anos. Além disso, apenas 3% dos CEOs são mulheres nas maiores empresas do país, conforme o levantamento do IBGE.

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No entanto, em algumas empresas, as mulheres já conseguem se destacar na liderança. Na dbm Contact Center, elas ocupam 77 das 133 cadeiras gerenciais, mesmo em cargos de tecnologia - onde a presença dos homens é massiva. O estudo do IBGE demonstra que as mulheres representam somente 20% dos profissionais que atuam em Tecnologia da Informação (TI) no Brasil. 

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Especialmente nesta área, pesquisas indicam que as mulheres sofrem preconceitos. Conforme levantamento da Yoctoo, consultoria de recrutamento e seleção especializada no segmento de TI, 81% das mulheres já sofreram preconceito de gênero. E, de acordo com 63% das mulheres ouvidas pela pesquisa, é nas empresas onde o preconceito mais acontece. Para elas, o maior desafio é ter que provar sua própria competência técnica o tempo todo (82%).

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Roberta Carla Machado, por exemplo, é coordenadora de projetos de TI na dbm Contact Center e divide a sala com nove homens. Ela conta que sua convivência com os pares masculinos é respeitosa. “Mas já tive experiências ruins em empregos anteriores, onde eu não tinha voz. Ninguém prestava atenção nos meus argumentos e sugestões e quando um homem fazia a mesma observação era levado a sério”, conta Roberta. 

O fato é que a sociedade desconhece grandes feitos tecnológicos realizados por mulheres ao longo da história, inclusive na área de tecnologia. O primeiro algoritmo a ser processado em uma máquina foi escrito por uma mulher, Ada Lovelace, em meados do século 19. Grace Hopper liderou a equipe que criou o primeiro compilador para linguagem de programação chamado Cobol. Já Hedy Lamarr inventou o sistema que serviu de base para os telefones celulares, apenas para citar alguns exemplos.

Falta de oportunidades para mulheres é barreira para o progresso

Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa McKinsey destaca que a baixa presença feminina no mercado de trabalho de tecnologia é fator limitante ao crescimento econômico. Afinal, não se pode mudar o mundo com menos da metade da população. A conclusão da McKinsey é que escola, família e sociedade devem atuar em conjunto para estimular o interesse das mulheres nas exatas.

Aliás, essa é uma das urgências no mercado brasileiro. De acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), até o ano de 2024, o Brasil precisará de 420 mil profissionais de Tecnologia da Informação (TI). No entanto, são formados apenas 46 mil profissionais por ano. Como principais dificuldades, a Brasscom destaca, em primeiro lugar (49%), o preconceito de gênero dentro das empresas, seguido pela falta de representatividade feminina na área, como forma de inspirar mais mulheres a trilharem carreiras de tecnologia (48%), e a falta de oportunidades nos processos seletivos (39%).

Maternidade é mais um tabu

Uma pesquisa divulgada pela FGV (Fundação Getulio Vargas) em 2017, chamada “Licença-maternidade e suas consequências no mercado de trabalho do Brasil”, feita com 247 mil mulheres, mostrou que metade delas perderam seus empregos após a gravidez. O estudo também constatou que as trabalhadoras que saem de licença-maternidade são demitidas em até 24 meses após o nascimento da criança. Já um outro levantamento, este realizado pelo InfoJobs, revela que 51% das mulheres já sofreram algum tipo de preconceito dentro do ambiente corporativo.

Esse fenômeno é chamado por pesquisadores americanos de “glass ceiling” (na tradução para o português “teto de vidro”) e é definido como uma barreira invisível que dificulta que as mulheres sejam promovidas para cargos importantes.

Contudo, as próprias mulheres, que vivem a maternidade na prática, acreditam que esse preconceito é fruto de uma visão distorcida dos patrões, que focam apenas nos períodos de ausência das colaboradoras durante a licença ou nos momentos em que elas precisam sair mais cedo do trabalho para levar o filho a uma consulta médica por conta de uma febre inesperada.

Para Flavia Medina, gerente comercial da dbm Contact Center, a maternidade é uma lição inclusive para a carreira de gestora porque ensina as mulheres a enxergar a tarefa de liderar de outro ângulo. “Quando nos tornamos mães, muitas vivências do mundo corporativo começam a fazer sentido. A maternidade revela uma força sobrenatural e nos ensina a dosar a emoção e a razão. Nos tornamos mais pacientes e equilibradas, pensamos antes de dar uma resposta rude. Somos menos impulsivas e imprevisíveis. Somos treinadas para isso em casa, com nossos filhos. Por isso, as lideranças femininas estão mais aptas a equilibrar pessoas e processos”, avalia. 

Melina Lass, sócia-diretora da dbm Contact Center, acredita que as responsabilidades das mulheres, com a tripla jornada, as ajuda a criar envergadura e as torna capazes de gerenciar, com destreza e facilidade, várias questões ao mesmo tempo. “Naturalmente, elas são dinâmicas e desenvolvem uma capacidade de adaptação. A inteligência emocional e a intuição mais intensa também fazem parte do perfil feminino, por isso elas têm uma facilidade maior para administrar conflitos. É claro que todas essas habilidades podem ser treinadas e os homens conseguem adquiri-las. Assim como as mulheres também podem desenvolver algumas características do perfil masculino para melhorar sua atuação no ambiente em que estão inseridas”, opina.