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Agnaldo Timóteo morre aos 84 anos vítima de Covid-19

Cantor estava internado no Hospital Casa São Bernardo, no Rio de Janeiro, e não resistiu às complicações da doença.

03/04/2021 22h42
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Por: Redação Acontece no RS Fonte: Ricardo Cruz / R7
Foto: TV Brasil / Divulgação
Foto: TV Brasil / Divulgação

Agnaldo Timóteo morreu, neste sábado, vítima de Covid-19. O cantor e compositor, de 84 anos, permanecia internado no Hospital Casa São Bernardo, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, e não resistiu às complicações da doença. A assessoria de imprensa do artista confirmou o falecimento.

“É com imenso pesar que comunicamos o falecimento do nosso querido e amado Agnaldo Timóteo. Agnaldo Timóteo não resistiu as complicações decorrentes do covid-19 e faleceu hoje às 10:45 horas. Temos a convicção que Timóteo deu o seu Melhor para vencer essa batalha e a venceu! Agnaldo Timóteo viverá eternamente em nossos corações! A família agradece todo o apoio e profissionalismo da Rede Hospital Casa São Bernardo nessa batalha”, cita o comunicado emitido à imprensa.

Em 17 de março, Agnaldo Timóteo revelou ter sido diagnosticado com a doença. Conforme a assessoria de imprensa, ele já havia tomado a primeira dose da vacina, 15 dias antes de ser infectado.

O artista chegou a apresentar uma “pequena melhora” ao longo dos dias em que esteve hospitalizado, mas acabou não resistindo.

Trajetória

Agnaldo Timóteo Pereira nasceu em 16 de outubro de 1936, em Caratinga, Minas Gerais. Foi no município mineiro, aliás, que o cantor, compositor e político passou toda a infância.

Os primeiros passos da carreira profissional foram dados quando ele participou, como calouro, de programas de rádio na cidade natal, Governador Valadares e Belo Horizonte. O cantor construiu uma história marcada por luta, dificuldades, sucessos, polêmicas, trajetória política e inúmeras participações em programas de rádio e televisão.

Com apenas 16 anos, já morando em Governador Valadares, o músico tinha o hábito de deixar de lado o trabalho de torneiro mecânico para ouvir Angela Maria, a quem sempre admirou publicamente e com quem, anos depois, trabalhou e se tornou amigo pessoal.

Na tentativa de gravar um disco, mudou-se para Belo Horizonte, onde ficou conhecido como ‘Cauby mineiro’ — por conta da semelhança de timbre com Cauby Peixoto, fenômeno musical nos anos 1950. Entretanto, a experiência não trouxe o sucesso esperado, mas possibilitou o surgimento de convites para imitar o astro em programas de rádio e eventos.

Aconselhado por Angela Maria a se mudar para o Rio de Janeiro, o músico enfrentou um começo difícil na capital fluminense. Foi na cidade, inclusive, que o compositor conheceu Roberto Carlos, que, à época, também havia se mudado para a cidade em busca de oportunidade profissional.

Agnaldo chegou a declarar ao longo da trajetória os perrengues que enfrentou ao lado do ídolo da Jovem Guarda. Os dois tinham o costume de ir a pé às rádios porque não tinham o dinheiro para o bonde.

Com dificuldades financeiras, o músico procurou Angela Maria e pediu para trabalhar como motorista dela, que, na época, possuía um automóvel, mas não dirigia. A história com a cantora, aliás, está diretamente ligada a momentos importantes da vida dele.

Por indicação de uma das maiores estrelas da história do rádio brasileiro, Agnaldo Timóteo gravou o primeiro trabalho, com as canções Sábado no Morro e Cruel Solidão. Em 1963, veio o compacto Tortura de Amor, mas, que acabou sendo vendido de mão em mão pelo próprio compositor porque a gravadora não punha fé no sucesso dele.

Em 1965, venceu todos os prêmios do programa Rio Hit Parade, da TV Rio, ganhando a simpatia do público jovem e assinando contrato com a EMI-Odeon. O primeiro sucesso da carreira veio com o disco Surge um Astro, que tinha versões estrangeiras e marcou a característica romântica que acompanhou cantor ao longo de décadas. À época, participou de edições do programa Jovem Guarda — atração produzida entre 1965 e 1968 pela TV Rio e Record TV.

Agnaldo, que contabiliza mais de 50 discos gravados, ficou nacionalmente conhecido ao gravar Meu Grito, canção composta por Roberto Carlos. Entre os grandes sucessos da longa carreira, Ave-Maria, Mamãe e Verdes Campos foram alguns dos grandes marcos da trajetória musical.

Em 1975, Agnaldo apresentou a Galeria do Amor — primeira composição própria e um dos marcos para o surgimento do estilo musical conhecido com ‘Brega’. Dois anos depois, em 1978, transitou por movimentos em alta, como Bossa Nova, com a gravação do sucesso Por Causa de Você, composição assinada por Dolores Duran e Tom Jobim.

O disco de maior sucesso na carreira, Perdido na Noite, que contou com composições próprias como Aventureiros e O Conquistador.

Sempre muito discreto em relação à vida pessoal, o cantor nunca assumiu publicamente algum relacionamento. Entretanto, em 2017, no documentário Eu, Pecador, que trouxe à tona passagens da trajetória do músico até então inéditas, Agnaldo falou abertamente de romances vividos com outros homens.

Política

Com as mudanças no cenário fonográfico brasileiro e surgimento de interesses pessoais, o ritmo de shows diminuiu com os anos e o cantor passou a conciliar a música com a carreira política, que começou em 1982, pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT). À época, ele se elegeu como o deputado federal mais votado da história do estado do Rio de Janeiro.

Em 1994, voltou a ser eleito deputado federal pelo estado fluminense. Além disso, exerceu três mandatos como vereador. O primeiro no Rio, em 1996, e dois pela cidade de São Paulo, em 2004 e 2008 — respectivamente.

Casa dos Artistas

Uma das participações na televisão mais lembradas nos anos 2000 ocorreu na terceira edição do reality show Casa dos Artistas, do SBT, em 2002.

Na ocasião, a edição apresentada por Silvio Santos misturou famosos e fãs. Ele, inclusive, votou para a própria fã, Silvana, deixar a atração. O músico se tornou o terceiro eliminado da temporada.

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