Domingo, 08 de Novembro de 2026

Mãe e filha, de 3 anos, são diagnosticadas com câncer com apenas dois meses de diferença

Após ser diagnosticada com um câncer de mama, Cindy Walker encontrou um caroço na perna da filha

Por: Redação Acontece no RS Fonte: Revista Crescer
29/10/2022 às 23h06
Mãe e filha, de 3 anos, são diagnosticadas com câncer com apenas dois meses de diferença
Mãe e filha são diagnosticadas com câncer — Foto: Reprodução Chronicle Live

Lidar com o diagnóstico de um câncer não é fácil. Imagine viver esse momento sabendo que seu filho também tem a doença. Foi o que aconteceu com a mãe Cindy Walker. Ela encontrou um caroço na perna de sua filha, Lily, um dia antes da pequena comemorar 3 anos e, logo, ficou assustada com a possibilidade da filha ter câncer.

Dois meses antes de notar o caroço na filha, Cindy, de 35 anos, já tinha sido diagnosticada com câncer de mama. A mãe, da Inglaterra, temia que sua filha pudesse ter a doença e, de fato, isso ocorreu. Uma semana depois que o caroço foi encontrado, Cindy recebeu a notícia que Lily também tinha um câncer, conhecido como rabdomiossarcoma — tumor maligno que surge de células que desenvolvem os músculos estriados da musculatura esquelética.

Agora, a mãe e a filha estão lutando bravamente contra a doença juntas. "Meu pai já teve câncer, e ele foi testado novamente para o gene, que ele tem. Minha irmã e eu fomos informadas que tínhamos que fazer ressonâncias magnéticas anuais. Minha irmã foi e ela estava bem, então eu fui orientada a voltar”, lembra a mãe. “Em 21 de julho deste ano, eles me disseram que tinham encontrado um câncer de mama na minha primeira ressonância magnética e que eu precisava de fazer uma mastectomia”, disse ela ao Chronicle Live.

Cindy passou por uma cirurgia, porém, logo depois, contraiu uma infecção e ficou com uma lesão por cerca de seis semanas. Como a ferida ainda não cicatrizou, a mãe ainda espera para passar pelo processo de quimioterapia.

Ainda lidando com seu diagnóstico de câncer, o mundo de Cindy virou de cabeça para baixo novamente um dia antes do terceiro aniversário de sua filha Lily. "Meu marido Anthony, 37, estava colocando algumas joelheiras em Lily para que ela pudesse andar de bicicleta e encontrou um caroço em sua perna", relatou Cindy, que também tem uma enteada de 11 anos chamada Emily. "Obviamente, por causa do meu câncer, acreditei imediatamente que era um tumor e decidi levá-la ao médico”, acrescentou.

Em setembro, após os exames, os médicos identificaram que a pequena Lily tinha um câncer na perna. "Desde então, houve teste após teste, ela está em sua terceira rodada de quimioterapia agora”, a mãe contou. Cindy, ainda, diz que a filha precisará remover parte do músculo da panturrilha direita e isso poderá impactar a sua capacidade de movimentação. A pequena também precisará passar por uma quimioterapia mais agressiva no futuro.

Quanto ao estado da filha, a mãe relatou: "ela tem dias bons e ruins. Perdeu todo o cabelo e tem um tubo que vai do nariz à barriga porque ela não toma remédios. Ela é apenas uma pobre criança. Ela também tem um tubo permanente que atravessa uma artéria até o coração para que eles possam tirar sangue".

Após seu diagnóstico de câncer, Cindy está pedindo para que as mulheres verifiquem seus seios em busca de nódulos e também quer que os pais observem seus filhos também. "Comigo, acho que não teria ido ao médico imediatamente se tivesse encontrado um nódulo e já não tivesse câncer", disse Cindy. "Eu provavelmente teria deixado, pensando que é apenas um furúnculo ou um abscesso. Mas é muito importante fazer um check-up para estar segura”, concluiu.

Diagnóstico precoce salva vidas!

Quando uma criança é diagnosticada com câncer, seja qual for, os pais sentem um grande aperto no peito! É impossível não pensar na cena dos pequenos passando por sessões de quimioterapia e logo depois seu cabelo caindo. No entanto, com o diagnóstico precoce, é possível fazer um tratamento muito menos agressivo para a criança. "Ele é de extrema importância para as indicações do tratamento, bem como para as maiores chances de cura. Para a maior parte dos tipos de câncer na criança, quando o diagnóstico é precoce, o tratamento é muito menos agressivo", explica Ana Paula Kuczynski, oncologista do Hospital Pequeno Príncipe, em entrevista à CRESCER.

Segundo a médica, em alguns casos, apenas é necessário fazer uma cirurgia com a retirada do tumor. Porém, para as crianças com câncer, o tempo é valioso. A demora para um diagnóstico pode resultar em altas doses de quimioterapia e com drogas mais fortes, podendo causar complicações graves como infecções e hemorragias. Ana Paula ainda complementa que, conforme o tipo do câncer, também pode ser necessário o tratamento com radioterapia, a qual pode causar vários efeitos colaterais.

Mas, quais sinais devo ficar atento? Existem vários sintomas que os pais precisam ficar de olho, como por exemplo: febre prolongada, dor nas pernas ou em outros locais que não melhoram com analgésicos comuns, dor de cabeça associada a vômitos, perda de peso, palidez associada a cansaço e sonolência, falta de atenção e queda no rendimento escolar, perda do equilíbrio e quedas, alterações visuais, ínguas (caroços) em qualquer local do corpo, dor e crescimento do abdome, manchas no corpo e sangramento. Então, se seu filho apresentar esses sinais, não hesite em levá-lo ao pediatra.

De acordo com a especialista, no caso dos pequenos, geralmente, os tipos de câncer mais comuns são leucemias agudas, tumores do sistema nervoso central, linfomas, neuroblastoma, tumor de Wilms (tumor renal), sarcomas, tumores ósseos, tumores de células germinativas e retinoblastoma (tumor ocular).

Durante o tratamento, é importante ressaltar que o apoio à família é essencial. "Muitas vezes os pais devem receber o suporte em conjunto com seu filho (a) pela equipe multidisciplinar do hospital ou clínica, constituída por médicos, enfermeiros e psicólogos, para que haja um bom entendimento sobre a doença, o tratamento e suas consequências", afirma Ana Paula.

É essencial também que os pais possam apoiar sem filhos e que estejam serenos, demonstrando muita confiança no tratamento e, claro, na cura da doença. "Respeitar os seus sentimentos nos momentos de angústia, procurando acalmá-los e confortá-los. Explicar que será uma fase de algumas mudanças no seu estilo de vida, com algumas limitações, mas que será por um período passageiro, reforçando a confiança nos bons resultados", pontua a oncologista.