
O segundo dia de campanha em segundo turno para as eleições no Rio Grande do Sul teve, de um lado, planejamento em busca de à candidatura de Onyx Lorenzoni (PL) e, de outro, uma “ofensiva” de Eduardo Leite (PSDB) junto à Assembleia Legislativa. Enquanto foram definidos os interlocutores do ex-ministro que buscarão apoios – tanto institucionais, de partidos do mesmo espectro político, quanto individuais, até em siglas do campo mais à esquerda -, o tucano partiu para uma espécie de corpo a corpo no parlamento, visitando líderes de bancadas de partidos que já o apoiaram no primeiro turno, mas também de potenciais novos aliados, como PDT, PSB e Novo.
No circuito, a bancada do PT não chegou a ser procurada. A sigla, que está em federação com o PCdoB, elegeu 11 cadeiras no Legislativo. Ao todo, a federação vai ter 12 representantes.
Sem a presença de Onyx, que está em Brasília a convite do presidente e candidato a reeleição Jair Bolsonaro (PL), internamente a campanha do candidato definiu estratégias para atrair apoiadores. Mesmo que o principal foco seja o PP, do mesmo campo ideológico, mas que compôs a base do governo Leite, foram definidos representantes que vão procurar até mesmo partidos do campo mais à esquerda que elegeram parlamentares. A ideia é aproveitar “rachaduras”, inclusive em legendas que fazem parte da coligação do tucano, como o MDB, que conta com alas bolsonaristas, e agregar apoios em municípios que elegeram Lula (PT) na disputa presidencial, mas nos quais partidos aliados a Bolsonaro fizeram mais votos nas disputas ao Legislativo.
Já Eduardo Leite reuniu-se com líderes de bancadas na Assembleia, em agenda organizada pelo candidato a vice, Gabriel Souza (MDB), que é deputado estadual. Acompanhados do atual líder do governo, deputado Mateus Wesp (PSDB), que não se reelegeu, Leite esteve com representantes de apoiadores como PSD, Cidadania e MDB, e de legendas que ainda não fecharam um posicionamento oficial como PDT, PSB e Novo. “Característica nossa sempre foi o diálogo. Sempre convivemos muito bem com o Parlamento. É momento de conversarmos sobre o futuro e debater o RS”, disse ele, antes de percorrer os gabinetes.
O ex-governador também afirmou “respeito” a parlamentares de diferentes campos ideológicos, dizendo que “quem governa, governa para todos”, deixando aberto o flanco para partidos que não integraram a base de governo. Logo após a fala, o candidato teve um encontro não-programado com a deputada reeleita Luciana Genro (PSol), a quem parabenizou pelo resultado das urnas até a chegada do elevador.
Em clima amistoso, ambos conversaram brevemente. Apesar disso, em entrevista antes da sessão da Casa, Luciana disse que Onyx e Leite dividem o mesmo projeto de “desestruturação dos serviços públicos e desvalorização dos servidores”. No entanto, destacou que o posicionamento no segundo turno ainda vai ser debatido pelo partido e demais siglas que compunham a coligação de Edegar Pretto (PT).
Na bancada do MDB, dos oito deputados da atual legislatura, três se ausentaram do encontro: Patrícia Alba, Tiago Simon e Gilberto Capoani, que é líder do partido na Casa. Além de Gabriel, participaram da reunião Carlos Búrigo, Vilmar Zanchin, Juvir Costella e Beto Fantinel. Desses, apenas Búrigo não se reelegeu.
Busca pelo apoio do PP
Sobre a disputa pelo apoio do PP, o ex-governador lembrou da colaboração da sigla na atual gestão. “Nos ajudaram muito, com quadros técnicos preparados e também aqui no parlamento. Estamos já conversando. Tenho certeza que não quererão ver retrocessos, voltarmos à estaca zero, desfazer o que fizemos juntos, como nosso adversário defende. Temos confiança no entendimento com os progressistas”, afirmou.
Os parlamentares da atual legislatura e os novos eleitos do PP reúnem-se nesta quarta-feira com Leite e, na quinta-feira, com Onyx. No primeiro turno, a sigla tinha como candidato o senador Luis Carlos Heinze, que terminou a disputa em quarto lugar. Ao longo da campanha, ele não poupou críticas à atual gestão. Além disso, ele e a candidata ao Senado, Comandante Nádia (que renunciou da disputa), declararam apoio a Hamilton Mourão (Republicanos), que fazia parte da chapa de Onyx.
Posição nacional em discussão
A posição que Eduardo Leite (PSDB) vai adotar em relação à disputa presidencial, uma vez que a chapa não conta com candidato nacional, segue em debate. Questionado sobre a decisão do governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), de apoiar Jair Bolsonaro (PL), enquanto que o Cidadania oficializou apoio a Lula (PT), movimentos que ocorreram enquanto Leite percorria os gabinetes da Assembleia, o candidato limitou-se a dizer que o definidor do posicionamento no Rio Grande do Sul cabe aos partidos da coligação.
Nesta terça-feira, no final da tarde, houve encontro entre os representantes dessas siglas, que incluem o Cidadania, com quem os tucanos formaram federação, MDB, União Brasil, PSD e Podemos para tratar do tema. Hoje, a executiva do PSDB se reúne para discutir o assunto. Internamente, o entendimento é que qualquer manifestação pode gerar uma reação contrária à candidatura do tucano.
Sobre o posicionamento do deputado federal reeleito Lucas Redecker, presidente licenciado do partido no Rio Grande do Sul, que abriu voto em Bolsonaro, Leite disse se tratar de uma “posição individual”. Na justificativa, Redecker disse que a maior preocupação é evitar um retorno dos governos petistas à Presidência da República.
Enquanto Leite ainda prefere se abster de uma posição nacional, o adversário Onyx Lorenzoni (PL) reforça a ligação com Jair Bolsonaro. O ex-ministro viajou a Brasília para reunião com o presidente, que deve ocorrer nesta quarta. Não está descartada a vinda de Bolsonaro ao Estado no segundo turno.
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