Domingo, 08 de Novembro de 2026

Quedas podem provocar lesões e até a morte de pessoas idosas

Coordenadora do curso de Enfermagem da Anhanguera alerta para cuidados dentro de casa

Por: Redação Acontece no RS
19/09/2022 às 12h51
Quedas podem provocar lesões e até a morte de pessoas idosas

O falecimento da Rainha Elizabeth II, no dia 8 de setembro, paralisou a imprensa e a população depois de 70 anos de reinado. O Palácio de Buckingham informou que a soberana tinha “problemas de mobilidade episódicos”, o que abriu especulações de que a monarca teria sofrido uma queda. Dados do Ministério da Saúde, divulgados em 2022, mostram que essa é terceira maior causa de morte entre pessoas com mais de 65 anos no país e pode acontecer no ambiente doméstico. Especialistas recomendam cuidados dentro de casa.

De acordo com a coordenadora do curso de Enfermagem da Faculdade Anhanguera, professora Mérlim Fachini, embora esse seja um problema comum, não deve ser encarado de forma banal e é necessário avaliar a saúde do idoso, a ocasião da queda e o local onde o indivíduo caiu. “Alguns sinais devem ser observados atentamente, pois indicam que há algum problema. Por exemplo, quedas da própria altura podem ser causadas por tontura, fraqueza, ossos fraturados, labirintite, entre outros. A partir desses indícios e exames complementares é possível chegar a um diagnóstico de uma doença que por ventura o idoso não tenha relatado”, afirma.

A acadêmica ressalta que além da questão médica, as quedas vão gerar impacto social, econômico e emocional significativos, o que pode levar à dependência e institucionalização desse idoso. Prevenir as quedas é uma tarefa complexa dada à imensa variedade de fatores predisponentes. 

É preciso, ainda, estar atento a sinais como desequilíbrios ao tentar se levantar de sofás e cadeiras e tonturas esporádicas. Os efeitos naturais do envelhecimento provocam a rigidez das articulações e o enfraquecimento muscular, o que pode diminuir a capacidade ou a vontade de andar. Pequenas lesões ao tropeçar ou batidas em móveis e outros objetos também contribuem na perda da mobilidade.

MOVIMENTAÇÃO

É preciso ter atenção na forma de andar de pessoas idosas, já que há a tendência de que os passos fiquem mais curtos com a dificuldade de executar movimentos. Doenças neurológicas (Mal de Parkinson ou esclerose, por exemplo) ou nas articulações (reumatismo e artroses), além de problemas de visão, também podem afetar a caminhada na terceira idade. 

“A rotina nesse período de vida precisa ser observada com atenção, principalmente quando há o uso de medicações, que podem ter efeitos colaterais”, destaca a docente. É recomendado criar o hábito de fazer exercícios sob supervisão profissional para diminuir a fragilidade do corpo e manter as habilidades funcionais. A equipe multiprofissional em saúde será capaz de acompanhar, corrigir e otimizar a mobilidade mecânica corporal desse público.

AMBIENTE

Pisos escorregadios, tapetes soltos, baixa iluminação e paredes sem corrimão podem aumentar o risco de quedas. Um ambiente seguro irá garantir a independência de pessoas mais velhas, portanto, é importante que haja uma preocupação com os espaços e a disposição dos móveis dentro de casa, com o objetivo de diminuir obstáculos no caminho onde há alta circulação. 

Com vistas à prevenção dos tropeços, os tapetes devem ser utilizados somente quando necessário e, nessas ocasiões, deverá ser antiderrapante e com as bordas devidamente fixadas ao chão. A iluminação deverá ser adequada, mesmo durante a noite, algumas áreas da casa podem permanecer iluminadas e os interruptores devem ser de fácil acesso.

Para aumentar a acessibilidade doméstica, a organização e limpeza da casa são necessárias. Os itens de uso diário, como escovas de dentes e roupas usadas com frequência, devem ser colocados em pontos de fácil alcance para evitar acidentes.

A coordenadora indica ainda que sejam realizadas algumas adaptações no ambiente. “Locais escorregadios como banheiros podem ser adaptados para as pessoas da terceira idade. Existem diversos apoios para evitar a queda, por exemplo, as cadeiras de banho são muito funcionais e impedem escorregões durante a higiene corporal. Barras de apoio para vasos sanitários auxiliam na hora de sentar-se e de se levantar. Também existem barras de apoios para sofás e poltronas. Manter a segurança é possível com pequenas ações”, conclui Mérlim.

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