
De mansinho, Felipe Araújo retornou ao São João de Campina Grande na noite deste sábado (18). E foi desse modo que o sertanejo acertou em cheio o coração de quem esteve no show dele. Com os fãs, foi tão afetuoso quanto é intenso para cantar o amor em forma de música. No palco, não ficou sozinho. Compartilhou não somente o espaço, mas o carinho do público em memória do irmão, Cristiano Araújo, e da amiga Marília Mendonça.
Cristiano morreu, aos 29 anos, em um acidente automobilístico em 2015. Já Marília, faleceu durante a queda de uma avião, aos 26 anos, em 2021.
“Eu vou cantar algumas músicas de alguém que faz parte da minha vida e que gostaria muito de me ver cantando aqui hoje”, anunciou segundos antes de interpretar uma sequência de hits do irmão, a exemplo de “Você Mudou”, “Caso indefinido” e “Cê que sabe”.
Não caíram lágrimas dos olhos do Felipe. Mas elas não eram necessárias para expressar a emoção que ele sentia naquele momento, que ganhou milhares de outras vozes que enalteceram o irmão do cantor goiano em um canto único.
“Cristiano, Cristiano, Cristiano”, era a canção que estremecia as estruturas do Parque do Povo, local em que a festa junina acontece.
“O que temos pra sempre é o Cristiano. Prometi pra mim mesmo que enquanto tivesse vida, enquanto tivesse voz, não deixaria que as pessoas esquecessem quem foi o Cristiano Araújo, quem é o Cristiano Araújo e quem vai continuar sendo. Tenho certeza que ele tá aqui no coração de cada um de vocês”, disse parafraseando o irmão mais velho, antes de demonstrar mais uma vez o quanto é generoso, dessa vez com as lembranças do que viveu com Marília Mendonça.
“Uma grande amiga que a vida me deu. Um dos maiores talentos que já conheci em toda a minha vida”. Depois de dizer isso, Felipe não precisou dizer a quem ele estava se referindo. A sintonia tomou conta do lugar, assim como o arrepio de quem sentiu o quanto era bonito o que estava acontecendo.
“No último encontro com o meu irmão a gente tava ouvindo uma música dela [Marília]. Que ela tinha feito e ele iria gravar, mas que não teve tempo de cantar e lançar”, recordou antes de interpretar “De quem é a culpa?” e na sequência “Esqueça-me se for capaz”, trabalho mais recente lançado por Marília antes de morrer.
Era visível que Felipe, naquele instante, não cantava sozinho e somente por ele. Mas também por dois outros talentos, que se foram, mas deixaram legados perpetuados na arte que faziam.