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Saúde Governo do Estado

Técnica em enfermagem do Hospital de Clínicas receberá primeira dose no RS

Estado recebeu 341 mil doses do imunizante no primeiro lote liberado pelo Ministério da Saúde.

18/01/2021 12h14
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Por: Redação Acontece no RS Fonte: Rádio Guaíba
Foto: Palácio Piratini/Divulgação
Foto: Palácio Piratini/Divulgação

A campanha de vacinação contra a Covid-19 no Rio Grande do Sul vai começar com um ato simbólico, realizado na tarde desta segunda-feira (18). Na oportunidade, uma técnica em enfermagem do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, que atua na linha de frente do combate à doença pelo Sistema Único de Saúde (SUS), será a primeira paciente imunizada em solo gaúcho. Ao todo, o Governo do Estado já dispõe de 341 mil doses.

Em entrevista exclusiva à Rádio Guaíba (ouça abaixo), o governador Eduardo Leite (PSDB) se disse aliviado com o início da mobilização, marcada por uma solenidade organizada pelo Ministério da Saúde no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas/SP. Apesar do revés no número de doses, causado pelo entrave nas negociações para a liberação da vacina de Oxford/Astrazeneca, o cronograma será cumprido à risca.

Rádio Guaíba: O que representa e qual foi a sensação do senhor ao participar da solenidade de hoje, em São Paulo?

Eduardo Leite: É um momento de grande alegria. Há quase um ano, eu lembro que a primeira reunião que eu tive com a nossa secretária de Saúde foi, justamente, no fim do mês de janeiro para discutir as providências em relação ao coronavírus, que ainda nem tinha chegado ao Brasil. A gente já observava que, fatalmente, chegaria ao nosso país pelas condições globais todas. Quase um ano, então, de cuidados, restrições e perdas de vidas. A vacina é, efetivamente, uma perspectiva de desfecho deste momento dramático que vivemos. E é uma parceria importante dentro do Programa Nacional de Imunização (PNI). Não fazia nenhum sentido, sempre frisei isso, que se abrisse uma disputa entre os estados na aquisição das vacinas. O Brasil tem quase 50 anos de tradição no PNI. É uma estratégica nacional de vacinação na qual cabe ao estado responder pela estruturação interna, garantir a rede de frios que armazena essas vacinas, etc. Tudo isso nós já fizemos.

RG: Como fica o cronograma a partir de agora? Já há a definição de local, hora e paciente para a primeira dose?

EL: Tudo indica que a primeira vacina, que é simbólica e tem importância, será aplicada no Hospital de Clínicas. Será uma profissional, técnica em enfermagem do SUS, altamente dedicada. É um símbolo de todos os profissionais da saúde, que estão se entregando, se arriscando e colocando as suas famílias em risco, na linha de frente. Esta vacina deve ser feita no final da tarde de hoje e simboliza esse cuidado com a linha de frente, que é a prioridade nesta primeira etapa do cronograma de vacinação. Em seguida, temos também como prioridade a população quilombola, indígena e idosos albergados em instituições de longa permanência. Depois, temos os chamados “superidosos” e iremos chamando, enfim, a população considerada de maior risco.

RG: Já existe uma previsão de entrega para a segunda leva das doses, que deve ser da fórmula de Astrazeneca/Oxford?

EL: Há uma expectativa. O que houve, efetivamente, foi uma questão política/diplomática, porque a Índia estava começando o seu programa de vacinação. Isso aconteceu, ainda na semana passada, e deve descongestionar essa questão política, fazendo com que seja liberada entre entre hoje e amanhã a importação das vacinas. A expectativa é de que o avião brasileiro vá ao país entre hoje e amanhã. O Brasil também aguarda a liberação dos insumos necessários para a fabricação dessas vacinas na Fiocruz, que vêm de um fornecedor chinês. Nós começamos agora, mas fevereiro será um mês importante em ganho de escala e velocidade na estratégia de vacinação.

RG: Neste primeiro momento, serão vacinados apenas os profissionais da saúde? O plano teve de ser adequado por causa do número de doses disponibilizadas?

EL: A gente está seguindo aquele cronograma de vacinação. Tudo é definido em estratégia conjunta dentro do Conselho Nacional de Secretários da Saúde, com o Ministério da Saúde. Como é um Programa Nacional de Imunização, os estados atuam de forma coordenada – isso já é uma cultura, e não faria sentido que se perdesse agora. É dentro dessa estratégia, com a sinergia entre os estados, atuando de forma conjunta e sem disputas, que nós teremos a imunização da população brasileira. A imunização não é só importante apenas individualmente para quem toma a vacina; conforme aumentamos o número de pessoas vacinas, vamos cortando o ciclo de contágio e o número de casos vai diminuindo. Assim, mesmo as pessoas que não estão imunizadas acabam sendo beneficiadas pelo volume das que estão. A meta é vacinar, pelo menos, 95% de cada um dos públicos-alvo da estratégia.

RG: No interior do Rio Grande do Sul, a campanha já começa amanhã? Qual a capacidade da estrutura do Governo para a distribuição da vacina nas centrais regionais?

EL: Hoje chegam as doses em Porto Alegre. A nossa equipe já finaliza as planilhas de distribuição para as 18 coordenadorias regionais de saúde. Assim que as doses chegarem ao Estado, daremos início à distribuição. Em 24 horas, todas as regiões do Rio Grande do Sul terão vacinas. Logo, vai levar de 24 a 30 horas para que todas as prefeituras gaúchas tenham acesso às doses que têm direito.

RG: Causou estranhamento no senhor a postura silenciosa do presidente da República, Jair Bolsonaro, quanto à aprovação das vacinas?

EL: Eu sempre digo que temos que ir mais pelo que nos une, do que pelo que nos separa. Naturalmente, há divergências entre o presidente da República e os governadores no que diz respeito ao distanciamento social. Houve negação da gravidade da crise sanitária e, consequentemente, econômica que o mundo passa por causa do coronavírus. A gente lamenta isso. Por outro lado, ressalto que o Ministério da Saúde sempre foi responsável com o Brasil, com os brasileiros. Nós recebemos insumos, respiradores, tivemos sempre o apoio do corpo técnico e do ministro da Saúde. A divergência se reside, justamente, em uma posição política do presidente da República – que a gente lamenta. Mas que bom que, até aqui, isso não impediu que trabalhássemos em conjunto para o avanço do programa de imunização. Agora, é trabalhar para fazer com que a população entenda a importância da vacinação – e, nesse sentido, também lamentamos a postura do presidente da República.

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