Sábado, 08 de Agosto de 2026
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1º lugar em medicina quer ser neurologista: 'Para ajudar outros autistas'

Ele conta que sempre manteve o foco nos estudos para que pudesse ter uma vida mais estável e segura.

Por: Redação Acontece no RS Fonte: ECOA
22/04/2022 às 20h53
1º lugar em medicina quer ser neurologista: 'Para ajudar outros autistas'
O estudante Elizeu de Freitas Júnior Imagem: Arquivo pessoal

A família do estudante Elizeu de Freitas Júnior, 19, soube do diagnóstico no transtorno do espectro autista quando o jovem tinha 12 anos. A desconfiança surgiu após um acidente de bicicleta, e o atendimento humanizado do neurologista que fez o diagnóstico inspirou o menino a ser médico. Anos depois, Elizeu passou em 1º lugar no curso de medicina da UFJ (Universidade Federal de Jataí), em Goiás.

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O estudante pretende avançar em neurologia para levar um atendimento mais cuidadoso a pessoas autistas e com transtornos mentais por meio da criação de uma clínica especializada.

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A Ecoa, ele conta que sempre teve afinidade com as ciências biológicas. A curiosidade por biologia e química foi aumentando até que, no ano passado, ele decidiu que seguiria realmente pela medicina.

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"Sempre me lembro do médico que me diagnosticou. Por causa daquele atendimento, decidi em 2021 prestar vestibular para medicina. Estudei oito horas por dia durante a semana, revisei muitas matérias, resolvi questões. E nos fins de semana fiz simulados e redações", explicou.

O acesso à universidade pública com uma classificação em primeiro lugar é motivo de muito orgulho para o jovem e sua família. Elizeu não esconde a alegria. "A aprovação representa uma realização muito grande. A sociedade muitas vezes impõe que o autista é limitado, que não vai conseguir. E meu esforço mostra justamente o contrário", disse.

Natural de Rondônia, o jovem, que sempre estudou em escolas públicas, explica que quer ajudar pessoas autistas para que elas não passem pelas dificuldades que passou. A começar por aquelas que teve para ser diagnosticado corretamente.

Além disso, ressalta o futuro médico, um diagnóstico precoce pode ajudar em problemas de interação social, ansiedade e timidez, aspectos que as pessoas no espectro autista enfrentam, mas que podem ser trabalhadas com o devido acompanhamento.

"Penso que, na prática, sendo neurologista, posso oferecer tratamento mais humanizado", disse.

A descoberta

Até os 10 anos de idade, os pais de Elizeu nem imaginavam que a sensibilidade do garoto poderia estar associada a algum transtorno — até que ocorreu um acidente de bicicleta. Elizeu carregava o irmão quando os dois caíram e precisaram de atendimento médico.

"A queda foi feia. Meu pai se preocupou e nos levou a um hospital para fazer raio-x e ver se havia ocorrido algo mais grave. Lá, o médico suspeitou que eu tivesse alguma coisa. Minha mãe decidiu investigar e buscou um neurologista, mas ele não deu a atenção devida", contou a Ecoa.

"Minha mãe me levou a outros médicos até que chegamos a um que teve muita atenção, um atendimento mais humanizado. E ele me deu o diagnóstico de autismo leve. Eu tinha 12 anos na época", acrescentou.

Ele conta que sempre manteve o foco nos estudos para que pudesse ter uma vida mais estável e segura. Por isso, teve que concorrer a vagas em Goiás, uma vez que não teve oportunidade em Rondônia. O jovem explica que terá que se mudar para Goiás com os pais para cursar a universidade.

"Vamos nos mudar em junho ou julho. As aulas começam em agosto, e eu não vejo a hora de frequentar a universidade e dar início a todos os meus planos na medicina. Fiquei bem assustado com a aprovação, mas agora é hora de focar e aproveitar ao máximo essa oportunidade", concluiu.