Domingo, 17 de Janeiro de 2021
51 98419-1295
Geral Colheita do Arroz

Fomento à irrigação será tema da Abertura da Colheita do Arroz

Especialistas debaterão assunto em painel que trará o sistema como seguro da diversificação.

04/01/2021 14h31
113
Por: Redação Acontece no RS Fonte: Rádio Guaíba
Foto: Fagner Almeida/Divulgação
Foto: Fagner Almeida/Divulgação

Um dos temas mais discutidos no último ano no setor agropecuário gaúcho, a irrigação também será destacada na 31ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, que ocorre de forma híbrida de 9 a 11 de fevereiro na Estação Experimental Terras Baixas, da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão (RS), e virtualmente. A estiagem ocorrida na safra passada e que também trouxe preocupações no início deste período de verão colocou o assunto no centro das discussões dos produtores.

Desde a edição passada, o evento já vem trazendo a irrigação como um de seus pontos de segurança para as lavouras. Neste ano, um painel discutirá o assunto na tarde do dia 9 de fevereiro. O ex-presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Henrique Dornelles, será o mediador do painel “A Irrigação como Seguro da Diversificação”. “Ano após ano a gente observa que mesmo não havendo uma forte estiagem de dias sem chover, mesmo em um pequeno número de dias, a seca fica perceptível devido às altas temperaturas”, ressalta.

Para Dornelles, o arroz, apesar de estar vivendo um bom momento, não possui margem para empatar o jogo. Afirma que o produtor precisa ganhar o jogo e ter alguma vantagem no sistema, que é o caso da integração, para que possa tocar sua atividade melhor. “Sendo assim, na medida em que os custos são crescentes sempre, o produtor precisa diversificar, mas precisa também colocar no mesmo momento uma preocupação com a irrigação. Observamos sistemas como aspersão ou por inundação. Somente o produtor poderá dizer o que é mais eficiente para a sua característica de solo e a sua disponibilidade hídrica”, destaca.

O presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), Paulo Pires, será um dos painelistas do evento. Uma questão importante, de acordo com o dirigente, é o incentivo à irrigação para trazer segurança ao produtor. “O produtor não pode conviver com esta incerteza que o clima do Rio Grande do Sul nos apresenta. Temos chuvas suficientes, mas elas são mal distribuídas. É um lugar perfeito para nós implantarmos a irrigação. Mas precisamos que ela tenha uma participação maior no sistema e mantenha, mesmo na adversidade, a safra do Rio Grande do Sul. Não podemos ter essa oscilação drástica. A irrigação vai ajudar a verticalizar e aumentar a produção por área e trazer mais segurança e garantia ao produtor”, observa.

Engenheiro agrônomo e produtor de arroz e soja em Camaquã (RS), Alvaro Huber Ribeiro, participa do projeto Sulco, liderado pela Embrapa com a participação de diversas empresas. No evento, vai apresentar etapas de implantação do projeto onde a cultura da soja é irrigada pelo sistema de camalhões. “Fizemos um primeiro cultivo no ano passado e neste ano estamos repetindo, com a ideia de melhorar a produtividade e evitar perdas pela seca. Nós tivemos um bom resultado na safra passada, a lavoura está bem implementada e estamos enxergando um caminho de viabilizar a irrigação na várzea utilizando a estrutura utilizada no arroz”, frisa.

Já o engenheiro agrônomo e gerente técnico do Grupo Ceolin, de Uruguaiana (RS), Joel Michelotti, vai mostrar o trabalho desenvolvido na Fronteira Oeste, onde cultivam 11 mil hectares de arroz na região. Há quatro anos desenvolvem projetos para áreas de soja, além da utilização da irrigação em silagem e grão de milho, utilizados para terminação de gado após pastagem e suplementação em vazios forrageiros. Um desafio, conforme o especialista, é driblar a irregularidade das chuvas e as condições de solo. “A característica da nossa região é de chuvas, com médias entre 1,2 mil e 1,3 mil milímetros no ano em média histórica. Nos últimos anos tivemos uma média de 1,5 mil milímetros. Esse volume de chuva praticamente supriria a necessidade de água de grande parte das culturas, porém nossas chuvas são mal distribuídas com um verão seco. Temos longos períodos secos com mais de 20 dias e uma chuva acumulada de dois dias. Também temos solos bastante rasos, a maior parte, com pouca capacidade de retenção de água”, pondera.

A 31ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas tem como tema “Os Novos Rumos do Sistema de Produção”. A realização é da Federarroz, com correalização da Embrapa e patrocínio premium do Instituto Riograndense do Arroz (Irga) e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Informações e inscrições podem ser obtidas no site www.colheitadoarroz.com.br.

Quer fazer parte do grupo do Portal Acontece no RS no WhatsApp? CLIQUE AQUI para entrar no grupo!

Assim você fica sempre atualizado com as últimas notícias de todo o Rio Grande do Sul.

 
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.