
A Liga Gaúcha de Futsal Feminino promoveu, entre os dias 28 e 29 de novembro, um Gauchão da categoria no interior do Estado. A competição em Uruguaiana terminou surpreendentemente com uma equipe de Canoas na 3ª colocação. As meninas da Luma fizeram bonito no certame e trouxeram a medalha do interior do Estado para casa. Não foi sorte de principiante. Inicialmente foi um projeto criado por um professor das disciplinas de História e Geografia, a Luma vem se destacando em competições desde 2012. Porém, faz apenas um ano que o time montou uma base em Canoas. Um dos fundadores da equipe, o professor Luciano Henrique, 35 anos, sempre foi apaixonado por futsal. Acabou deixando de lado as aulas de História e Geografia em uma escola em Novo Hamburgo para levar o sonho de ter um time do popular futebol de salão adiante. A união de forças dele com o também professor Magno Macedo, 47 anos, culminou na criação da Luma. “Desde início, a ideia era criar uma escola de futebol direcionada para as meninas”, lembra. “A gente acredita que já existem escolas para meninos demais por aí, contudo são poucas que dão a oportunidades para que as estudantes aprendam a jogar futebol”, avalia.
O projeto surgido em Novo Hamburgo, no início da década passada, não demorou muito para deslanchar. De saída, estudantes do Colégio Wolfram, um dos mais tradicionais do município do Vale dos Sinos, formaram a base da equipe. Com o passar do tempo, só foi crescendo o interesse de meninas com vontade de jogar futebol. “Criamos perfis nas redes sociais e por ali as interessadas entravam em contato porque queriam participar do grupo.” As participações em competições, das categorias de base, organizadas pela Federação Gaúcha de Futsal, ajudaram a consolidar a seriedade do trabalho administrado por Luciano e Magno. O profissionalismo com que a dupla conduz o projeto levou à necessidade de expandir o negócio. Foi no ano passado que a Luma passou a ministrar aulas e coletar talentos também em Canoas.
Os treinos acontecem sempre no finais de tarde de quarta-feira e também nas manhãs de sábado, reunindo dezenas de meninas no ginásio do Bolão Gaúcho, na Rua Araçá, no Centro. O resultado da empreitada culminou no 3ª lugar do Gauchão disputado no final do mês passado. “O interesse das meninas é enorme, porém não existem muitas escolas do ramo. Então recebemos com o maior prazer alunas vindas de Três Coroas, Taquara, Parobé, Rolante, Barra do Ribeiro. Elas têm muita vontade de jogar”, reforça. É claro que antes de a bola rolar de verdade, é preciso muita preparação. Primeiro treinam as aspirantes a atletas para só depois os professores se concentrarem nas garotas que já disputam competições. A Luma tem se destacado em competições estaduais justamente pela importância dada ao aspecto físico. “Disputamos quatro ou cinco partidas em um só dia sem que nossas meninas fiquem de língua de fora”, ressalta Henrique. “É um diferencial da equipe em cada partida.”
O sonho de jogar futebol realizado
Moradora de Canoas, Natália Dornelles, 18 anos, conta que respira futsal desde que nasceu. Embora fã de craques como Marta e Cristiane, ela explica que a mãe foi a maior inspiração de todas. A “dona Viviane” sempre jogou e participou de competições por todo o Estado, então a levava para ginásios desde pequenininha. “Sempre gostei e não precisei de muito esforço para ver meu sonho de jogar futebol realizado”, diz. A ala esquerda do time principal da Luma atuou no grupo que garantiu a terceira colocação no Gauchão, em Uruguaiana.
Ela destaca que a Luma jogou de igual para igual com a Celemaster Uruguaianense, time que é o atual tetracampeão de futsal. “Nossa equipe é nova e não baixou a cabeça para as gurias de um dos clubes de maior tradição no Rio Grande do Sul”, defende. Ao citar o profissionalismo com que cada competição do grupo é encarada, Natália, ou melhor, Japinha, como é conhecida, cita que a orientação é “nada de festa” antes de jogo. “Todas aqui são unidas pela mesma vontade de jogar futsal, então só queremos fazer bons jogos e dar o melhor dentro de cada competição”, afirma. “Ninguém entra na quadra para perder.” Para quem quiser entrar em contato Quem tiver interesse em conhecer o trabalho do grupo pode entrar no Instagram @lumawolfran ou conversar com o professor Magno Macedo pelo telefone (51) 9969974-10. “Nossa meta é se tornar uma referência no futsal feminino do Estado”, defende o professor e também técnico.
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