
O Ministério Público de Caxias do Sul, na serra gaúcha, enviou à Justiça um pedido de recurso na sexta-feira (4) pedindo o aumento na pena de Juliano Vieira Pimentel de Souza, condenado pelo estupro e morte de Naiara Soares Gomes, de 7 anos. Os crimes aconteceram em março de 2018.
Em julgamento realizado na última quarta-feira (2), Juliano foi sentenciado a 36 anos, seis meses e 20 dias de prisão em regime inicial fechado. Para o promotor de Justiça João Francisco Ckless Filho, que atuou em plenário representando a acusação, essa pena pode ser maior.
"Embora o Ministério Público respeite a decisão, nós já ingressamos com recurso para aumentá-la. Posteriormente, os autos virão para o gabinete para que sejam apresentadas as razões do recurso", explicou.
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Juliano (à esquerda) durante julgamento que o condenou a mais de 36 anos pelo estupro e a morte da menina Naiara — Foto: Reprodução/RBS TV
A defesa de Juliano, por sua vez, disse ao G1 que vai pedir anulação do júri. Segundo o advogado Marcelo Von Saltiel, houve uma manifestação indevida de uma testemunha, o que teria influenciado a decisão dos jurados.
O advogado não informou o que seria essa manifestação, mas o G1 apurou que a testemunha falou que iria se mudar de Caxias caso Juliano fosse posto em liberdade, enquanto chorava.
"A defesa entende que, de certa maneira, influenciou os jurados, na votação. Obviamente, a gente sabe, que é uma tese difícil, mas vamos tentar em homenagem ao princípio da plenitude de defesa", explica Marcelo.
Relembre o caso
Naiara Soares Gomes desapareceu após ir para a escola, no bairro São Caetano, em 9 de março de 2018. Imagens de câmeras de segurança mostravam a menina andando sozinha pelas ruas.
No dia 21, o corpo de Naiara foi encontrado pela polícia às margens da Barragem do Faxinal, no interior de Caxias do Sul. Laudos periciais confirmaram que Naiara morreu por asfixia e foi estuprada antes de morrer.
A Polícia Civil indiciou Juliano por estupro de vulnerável com morte e ocultação de cadáver.
Além disso, Juliano também foi condenado por outro crime, contra outra criança. O ataque teria acontecido antes da morte de Naiara.
O caso gerou revolta na população de Caxias do Sul. A casa onde o homem morava, e onde ocorreram os estupros, foi demolida pelos proprietários, que afirmaram não haver motivos para continuar com o imóvel.
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