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Geral Gramado / RS

"Estamos muito abatidos, consternados", diz proprietária de casa asilar de Gramado

Surto já vitimou nove moradores nas últimas semanas.

19/09/2020 11h35
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Por: Redação Acontece no RS Fonte: Pioneiro - Grupo RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

A rotina no Santa Ana Residencial Geriátrico de Gramado é resumida por muito isolamento, desde que os primeiros casos de coronavírus foram conhecidos por exames e, até esta sexta-feira (18), acabaram vitimando  nove idosos. Os 15 residentes que permanecem na instituição estão em seus quartos, inclusive aqueles que negativaram os exames para a covid-19, e não podem sair dos dormitórios até a próxima terça-feira (22).

A quarentena encerrará no dia 21 de setembro — quando completam os 15 dias desde o primeiro caso — e só depois eles poderão conviver em espaços mútuos. Entre os 17 que não precisaram de internação, apenas dois residentes — que tiveram resultado negativo — foram para as casas de familiares e retornarão também na próxima terça. Essa rotina parece ser bastante desgastante aos avôs e avós atendidos no local.

— Eles estão mais abatidos, mais deprimidos. Eles não têm as visitas das famílias desde março e aí ter que deixar eles nos quartos fechados, não é fácil. A nossa base de idade é de 89 anos, então imagina deixar idosos fechados. Mas agora, graças a Deus, segunda-feira a vigilância (sanitária do município) provavelmente irá liberar eles para conviverem normalmente — relata Cristina Oliveira, proprietária do local.

Esse abatimento também é demonstrado no tom de voz de Cristina. A reportagem tentou contato com o marido e também proprietário, o médico Ubiratã de Oliveira, durante toda a sexta-feira (18) e só conseguiu resposta ao final da tarde. Cristina foi quem atendeu e disse que todos estão muito consternados com a situação.

— É muito difícil. Estamos muito abatidos, consternados. A gente sabe que isso é uma pandemia, aconteceu em todos os lares geriátricos do mundo, mas tínhamos a esperança que não chegaria aqui. Estamos desde março, com todos os EPI's, sem visitas, controlando todos os funcionários. Qualquer sintoma em funcionário, ele já era isolado e fazia o teste. Não tinha ninguém positivo. Quando veio, veio com tudo. Estamos muito abalados — conta.

EM BUSCA DE RESPOSTAS

Desde aquele 3 de setembro, quando foram identificados os primeiros contaminados pelo coronavírus, o quadro de funcionários está sofrendo uma rotatividade. Até aqui, 12 testaram positivo e o residencial precisou contratar substitutos temporários, que também foram testados pela vigilância sanitária de Gramado antes de poder entrar na casa.

— Não sei exatamente quantos a gente substituiu. Tem muitos voltando da quarentena, porque isso é muito rápido. Após 10 dias, quem não teve sintomas está liberado para retornar. E são 15 dias para quem teve algum sintoma. Isso dá uma rotatividade. Conforme precisa, a gente coloca outro no lugar — explica a proprietária.

Como o coronavírus chegou até a casa asilar? É uma incógnita. Até o momento, o que se tem conhecimento é que um dos idosos acusou febre e foi iniciada uma pesquisa. Como os exames foram realizados com todos que convivem na casa e foram vários os testes positivos, não é possível ainda ter uma resposta sobre como o coronavírus alcançou o residencial.

— Eu não sei se foi funcionário, não sei se foi uma vó. Nós tivemos internações hospitalares que foram necessárias nesse período, não tem como saber — ressalta Cristina.

Segundo a proprietária, todos os cuidados foram tomados para que o vírus não chegasse ao Santa Ana Residencial.

— A vigilância tem todos os dados, tivemos vários funcionários isolados e nenhum positivou. Eles tinham outras doenças. Nunca teve caso positivo. Caso contrário seríamos os primeiros a tomar uma atitude. Além de ser uma coisa emocional, é um negócio. Eu vou querer que os idosos morram? Não tem cabimento. É o meu negócio que está aí na mídia, na televisão, no jornal. Então, a gente é o primeiro a querer que isso não aconteça. Jamais iria colocar em risco e com uma doença que é letal com quase 100% dos idosos — finaliza.

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