Quinta, 30 de Julho de 2026
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Convocados nunca chamados mostram mudanças de rumo da CPI

A comissão apostou em linhas de investigação que já foram superadas por novas revelações; 26 pessoas aguardam na fila

Por: Redação Acontece no RS Fonte: R7 - Marcos Rogério Lopes, do R7
01/08/2021 às 02h05

Em sua primeira etapa antes do recesso parlamentar, a CPI da Covid apostou em linhas de investigação que já foram deixadas de lado ou perderam parte da importância que pareciam ter para a comissão. Além dos 34 depoentes que estiveram no Senado, outros 26 tiveram os requerimentos aprovados, mas nunca foram chamados.

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Alguns deles, como é o caso do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), foram pautados para o reinício dos trabalhos, em agosto. O parlamentar, que pode esclarecer se teve alguma participação em indicações e negócios questionáveis do Ministério da Saúde por vacinas, deve ser ouvido no dia 12, mas passou por um longo chá de cadeira até ver efetivamente seu depoimento agendado.

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Sua convocação foi aprovada em 30 de junho, após o deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) afirmar que o presidente Jair Bolsonaro citou que 'isso devia ser coisa do Ricardo Barros" ao saber das denúncias de irregularidades na negociação da Covaxin.

A acusação de que existiam coisas estranhas no acordo do Ministério da Saúde para trazer a Covaxin foi responsável, aliás, por empurrar várias pautas para o fim da fila, mas mesmo desdobramentos desse assunto ficaram no limbo.

Rodrigo Lima, um servidor do Ministério da Saúde que teria comentado com o autor da denúncia da Covaxin, Luís Ricardo Miranda (irmão do deputado do DF), que falava-se em propina em outras negociações da pasta, foi convocado assim que os senadores escutaram pela primeira vez a história. Em dois dias o pedido foi feito e aprovado, em 28 e 30 de junho, mas ficou nisso a intenção de levá-lo.

No primeiro mês da comissão, em abril, fazia sentido, por exemplo, o requerimento do vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), de conversarem com o marqueteiro do ex-ministro Eduardo Pazuello, Marquinhos Show. Nunca foi ouvido.

No início da CPI, a discussão sobre o esforço feito pelo governo federal para comprar vacinas justificava chamar um dirigente da Johnson, para explicar de que forma se deu o acordo com o Ministério da Saúde. O requerimento de Alessandro Vieira (Cidadania - SE) foi aprovado em 26 de maio, mas a empresa não entrou na agenda.

No mesmo dia foi aprovada a convocação de um executivo da White Martins, companhia responsável por entregar oxigênio aos hospitais do Amazonas. O colapso da saúde na capital Manaus, em janeiro de 2021, foi bastante explorado pela comissão em alguns dos 34 depoimentos ocorridos nos três primeiros meses de CPI, que teve a primeira sessão em 4 de maio. A empresa ainda aguarda ser chamada. 

Filipe Martins, assessor internacional de Bolsonaro, falaria sobre o gabinete paralelo do presidente, que lhe sopraria rumos a tomar e posicionamentos que deveria ter na pandemia. Alessandro Vieiro pediu para levá-lo em maio, o nome chegou a entrar na agenda, mas saiu assim que outros assuntos mais quentes dominaram o noticiário.

Os médicos Paolo Zanotto e Antonio Jordão, defensores do tratamento precoce e da cloroquina e presentes em eventos do suposto gabinete paralelo, esperam sentados.  

Covaxin e Davati

Entre os 26 requerimentos de convocação aprovados de pessoas que nunca foram chamadas entram Hélio Angotti Neto, secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos da pasta da Saúde.

Nesse caso, como em outros, o roteiro das perguntas ainda pode ser refeito, sem grande prejuízo.

Em maio, quando foi aprovado o pedido para chamá-lo, Angotti Neto falaria sobre as falhas no planejamento do país para ter insumos médicos suficientes, daria sua versão sobre remédios sem comprovação científica que foram usados contra a covid, testes, vacinas etc, mas o tempo passou e ele, agora, pode fornecer detalhes sobre as negociações da pasta.

Uma delas é a história da Davati. A empresa, sediada nos Estados Unidos, teria negociado com o Brasil a entrega de 400 milhões de doses da AstraZeneca. O assunto, revelado pelo jornal Folha de S. Paulo no fim de junho, dominou a pauta da comissão dem seu último mês antes do recesso. 

Segundo o cabo da polícia militar Luiz Paulo Dominguetti, o ex-diretor do Ministério da Saúde, Roberto Dias, pediu propina para seguir adiante com o acordo, que acabou não sendo fechado. Os dois foram ouvidos pela CPI - Dias chegou a ser preso - , assim como o representante da empresa, Cristiano Carvalho, que listou diversos servidores do governo em transações obscuras para trazer o imunizantes.

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Angotti não foi citado diretamente por Cristiano Carvalho, mas estava no ministério no período das negociações tanto da Davati quanto a da Covaxin.  

Google, Facebook e Twitter

Temas mais genéricos também ficaram pelo caminho. Randolfe Rodrigues solicitou e conseguiu que fossem chamados em junho representantes do Google, Facebook e Twitter para cobrar punições aos propagadores de notícias falsas durante a pendemia. Nenhum jamais pisou na CPI.

Na ocasião, o vice da comissão queria entender por que muitos defensores do presidente Bolsonaro continuavam atacando impunemente vacinas, máscaras e restrições a aglomerações para conter o coronavírus. 

Se depender do presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), as empresas talvez ainda voltem ao foco das apurações, mas sob outro prisma: para ajudarem na investigação de quem são os propagadores de fake news:

"É importante investigar a disseminação de notícias falsas na internet. No âmbito da CPI da Pandemia, também enfrentamos este problema e os representantes do YouTube, Facebook e Twitter podem contribuir sim. Bom domingo a todos", disse em suas redes sociais.