
Dois anos após a enchente que atingiu Porto Alegre, o município ainda executa obras para reforçar o sistema de proteção contra cheias. Todas as comportas já foram reformadas, substituídas ou transformadas em estruturas de concreto, mas há intervenções com conclusão prevista para este ano e outras que devem se estender até 2032.
Entre as obras em andamento estão os reforços das casas de bombas, também chamadas de Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps). O Dmae possui cinco lotes em processo, cada um abrangendo de três a quatro unidades. Três contratos já têm empresas responsáveis, e os serviços devem durar entre seis meses e um ano, com instalação de novos motores, bombas, geradores e quadros elétricos.
Também estão previstas novas casas de bombas nos bairros Farrapos, São João, Floresta, Menino Deus e Sarandi. A primeira licitação foi lançada para uma unidade no Sarandi, que poderá bombear até 24 mil litros por segundo, contra 8 mil litros por segundo da estrutura atual. No Humaitá, a capacidade poderá chegar a 40 mil litros por segundo. As novas unidades devem ser licitadas até o fim do primeiro semestre de 2027, com conclusão estimada para 2031 ou 2032.
Nos diques, ainda falta concluir a estrutura da Assis Brasil. O investimento previsto é de R$ 24 milhões, e a licitação pode ocorrer ainda neste ano ou em janeiro, com início dos trabalhos entre janeiro e fevereiro. A obra deverá abranger 1,5 quilômetro e durar até seis meses.
Na região dos pôlderes 7 e 8, entre Anchieta e Sarandi, foram instaladas comportas nas galerias que ligam os arroios Areia e Passo das Pedras ao rio Gravataí. A instalação de bombas móveis deve ser concluída nas próximas duas semanas. O projeto definitivo, estimado em R$ 300 milhões, prevê duas novas Ebaps, ampliação dos canais dos arroios e reconstrução dos diques, com licitação prevista para o primeiro trimestre de 2027.
O último trecho do dique do Sarandi ainda depende da realocação de famílias e não tem previsão de início. Conforme o Dmae, as obras dos pôlderes reduziram a necessidade de uma estrutura com sete metros de altura, já que o dique deverá conter principalmente a água da chuva. A altura definitiva ainda será definida, mas a expectativa é de uma cota de quatro metros.
A dupla alimentação de energia elétrica das 37 principais unidades de drenagem, abastecimento e esgotamento sanitário deve ser concluída em novembro. No bairro Guarujá, os anteprojetos de proteção contra cheias e drenagem ainda estão sendo elaborados, enquanto o município busca recursos federais, estaduais e internacionais para viabilizar as obras. O Dmae afirma que o plano de contingência permanece preparado para eventuais elevações dos rios.