Quinta, 29 de Outubro de 2026

Obras do sistema de proteção contra cheias seguem em andamento em Porto Alegre

Porto Alegre avança em comportas, diques, casas de bombas e energia, mas algumas obras dependem de recursos, licitações e realocação de famílias.

Por: Redação Acontece no RS
29/10/2026 às 08h15
Obras do sistema de proteção contra cheias seguem em andamento em Porto Alegre
Algumas intervenções devem ser finalizadas ainda neste ano, como parte da proteção da região dos pôlderes 7 e 8, entre os bairros Anchieta e Sarandi, Foto : Alina Souza

Dois anos após a enchente que atingiu Porto Alegre, o município ainda executa obras para reforçar o sistema de proteção contra cheias. Todas as comportas já foram reformadas, substituídas ou transformadas em estruturas de concreto, mas há intervenções com conclusão prevista para este ano e outras que devem se estender até 2032.

Entre as obras em andamento estão os reforços das casas de bombas, também chamadas de Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps). O Dmae possui cinco lotes em processo, cada um abrangendo de três a quatro unidades. Três contratos já têm empresas responsáveis, e os serviços devem durar entre seis meses e um ano, com instalação de novos motores, bombas, geradores e quadros elétricos.

Também estão previstas novas casas de bombas nos bairros Farrapos, São João, Floresta, Menino Deus e Sarandi. A primeira licitação foi lançada para uma unidade no Sarandi, que poderá bombear até 24 mil litros por segundo, contra 8 mil litros por segundo da estrutura atual. No Humaitá, a capacidade poderá chegar a 40 mil litros por segundo. As novas unidades devem ser licitadas até o fim do primeiro semestre de 2027, com conclusão estimada para 2031 ou 2032.

Nos diques, ainda falta concluir a estrutura da Assis Brasil. O investimento previsto é de R$ 24 milhões, e a licitação pode ocorrer ainda neste ano ou em janeiro, com início dos trabalhos entre janeiro e fevereiro. A obra deverá abranger 1,5 quilômetro e durar até seis meses.

Na região dos pôlderes 7 e 8, entre Anchieta e Sarandi, foram instaladas comportas nas galerias que ligam os arroios Areia e Passo das Pedras ao rio Gravataí. A instalação de bombas móveis deve ser concluída nas próximas duas semanas. O projeto definitivo, estimado em R$ 300 milhões, prevê duas novas Ebaps, ampliação dos canais dos arroios e reconstrução dos diques, com licitação prevista para o primeiro trimestre de 2027.

O último trecho do dique do Sarandi ainda depende da realocação de famílias e não tem previsão de início. Conforme o Dmae, as obras dos pôlderes reduziram a necessidade de uma estrutura com sete metros de altura, já que o dique deverá conter principalmente a água da chuva. A altura definitiva ainda será definida, mas a expectativa é de uma cota de quatro metros.

A dupla alimentação de energia elétrica das 37 principais unidades de drenagem, abastecimento e esgotamento sanitário deve ser concluída em novembro. No bairro Guarujá, os anteprojetos de proteção contra cheias e drenagem ainda estão sendo elaborados, enquanto o município busca recursos federais, estaduais e internacionais para viabilizar as obras. O Dmae afirma que o plano de contingência permanece preparado para eventuais elevações dos rios.