
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou a reeleição neste domingo (25), ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Com mais de 97% das seções apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula registrava 51,74% dos votos válidos, enquanto o adversário somava 48,26%.
Aos 80 anos, o petista garantiu seu quarto mandato na Presidência da República, um feito sem precedentes no país. A posse está prevista para 5 de janeiro de 2027, com Geraldo Alckmin (PSB) novamente ocupando a Vice-Presidência. Lula completará 81 anos na terça-feira (27).
O resultado também representa uma mudança histórica nas eleições presidenciais brasileiras. Pela primeira vez desde a redemocratização, um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu reverter a desvantagem e vencer a disputa. Em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro havia recebido 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
A votação deste domingo foi marcada pela ampliação do horário até as 19h, após solicitações das duas campanhas. A medida foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante de questionamentos sobre seções que já haviam encerrado os trabalhos, o ministro esclareceu que a prorrogação seria aplicada apenas onde as urnas permanecessem abertas.
A campanha de Lula justificou o pedido de extensão do horário com dificuldades no transporte público em municípios como São Paulo e Salvador. Já a equipe de Flávio Bolsonaro apresentou a solicitação devido às chuvas que atingiram cidades da região Sul, incluindo o Paraná.
A disputa presidencial ocorreu em um cenário de crescimento da direita nas eleições estaduais e legislativas. Após não participarem dos debates televisivos do primeiro turno, os dois candidatos se enfrentaram na última semana antes da votação decisiva. Entre os assuntos discutidos estavam o fim da escala de trabalho 6x1 e a maioridade penal. A campanha também foi marcada por acusações de desinformação e pelo uso de inteligência artificial, questões que motivaram ações no TSE.
Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro, participou pela primeira vez de uma eleição presidencial. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado e declarado inelegível, ele disputou o cargo em uma eleição que terminou com a vitória de Lula após a diferença apertada registrada no primeiro turno.