
Mayanna Angelina Rodgers, de 29 anos, mãe de Oliver Grayson, de 3 anos, que morreu em julho em Viamão, deixou a Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba nesta sexta-feira (9), por volta das 11h45. A Justiça determinou a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares, incluindo monitoramento eletrônico.
A decisão foi tomada pela 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri e de Execução Criminal da Comarca de Viamão. Mayanna responde a um processo por tortura por omissão, enquanto a investigação por homicídio doloso qualificado foi arquivada em relação a ela. O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) havia se manifestado contra o pedido de liberdade.
Com a soltura, os advogados André von Berg, Isabel Cochlar e Juliana Braun Martins pretendem solicitar autorização judicial para que a mulher possa reencontrar os filhos, atualmente acolhidos em um abrigo. Segundo von Berg, o filho mais velho, de 9 anos, teria manifestado interesse em ver a mãe, mas o encontro ainda não ocorreu.
Apesar da liberdade provisória, Mayanna permanece impedida de se aproximar ou manter contato com as crianças. Ela também deverá cumprir recolhimento domiciliar das 20h às 6h e nos dias de folga, utilizar tornozeleira eletrônica, entregar o passaporte e não deixar a região da comarca de Porto Alegre. A defesa informou que ela ficará temporariamente na residência de uma pessoa próxima à equipe jurídica.
Os advogados de D’Andre Grayson, pai de Oliver, também se pronunciaram sobre a decisão. Ismael Schmitt e Jader Santos defenderam a retomada do convívio entre Mayanna e os filhos e informaram que apresentarão provas e argumentos durante a instrução criminal. D’Andre permanece preso preventivamente.
Oliver morreu em 8 de julho, após sofrer agressões que, conforme denúncia do MPRS, teriam sido praticadas pelo próprio pai. Segundo a acusação, D’Andre teria atacado a criança depois de se irritar porque o menino não lhe desejou bom dia. As agressões teriam provocado traumatismo cranioencefálico grave. O pai foi denunciado por homicídio qualificado.
A investigação também apontou que quatro crianças da família teriam sofrido violência física e psicológica entre 2024 e julho de 2026, em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Mayanna foi denunciada por tortura por omissão porque, segundo o Ministério Público, tinha conhecimento das agressões e não teria adotado medidas para impedir os episódios ou comunicar os fatos às autoridades. O processo segue em andamento.