Domingo, 04 de Outubro de 2026

Eleições 2026: disputa pelo Senado foi acirrada no Rio Grande do Sul

Dos 13 candidatos, oito ganharam maior visibilidade na campanha, sendo que seis têm trajetórias ou votações expressivas na política local.

Por: Redação Acontece no RS Fonte: Correio do Povo
04/10/2026 às 07h55
Eleições 2026: disputa pelo Senado foi acirrada no Rio Grande do Sul
Os principais candidatos ao Senado se enfrentaram em debate do Correio do Povo, Rádio Guaíba e Amrigs Foto : Camila Cunha

É extensa a lista de fatores que tornaram a corrida ao Senado em 2026 no RS a mais agressiva de todo o conjunto da competição. O contexto local dá suas próprias cores à eleição, mas é a combinação com uma série de elementos em disputa no cenário nacional o que explica tanto acirramento.

Há, no Estado, nestas eleições, 13 candidatos, e duas vagas em jogo. Dos 13, oito ganharam maior visibilidade, sendo seis deles detentores de trajetórias ou votações expressivas na política local: um ex-governador, três deputados federais, entre os quais um ex-ministro, o atual líder do governo na Assembleia Legislativa e uma ex-deputada que já integrou chapa presidencial. São eles, pela ordem, Germano Rigotto (MDB), Marcel van Hattem (Novo), Ubiratan Sanderson (PL), Paulo Pimenta (PT), Frederico Antunes (PSD) e Manuela d’Ávila (PSol).

Diferentes sondagens eleitorais apontam que, entre os seis, cinco estão ‘embolados’ na disputa pelas duas vagas. E ninguém, dentro das campanhas, arrisca uma aposta fechada. Porque o histórico dos pleitos mostra que, além de o voto para o Senado ser quase sempre o último que o eleitor define, em corridas com duas vagas, ele fica muito suscetível tanto a mudar de opinião como a fazer as combinações mais improváveis.

Além dos seis mais conhecidos, a lista completa de concorrentes inclui Milton Cardoso, (Cidadania), Renato Jaguarão (PSDB), Daniela Maidana da Silva e Regis Ethur (ambos do PSTU), Luciano Schafer e Tânia Perez (os dois da UP) e Ric Jones (PCO).

A densidade eleitoral de uma parcela dos nomes, o fato de integrarem coligações com chapas majoritárias competitivas, e de Manuela e Van Hattem apresentarem antagonismo visceral, sendo ambos detentores de forte presença digital, por si só, já garantiria emoção suficiente ao pleito. Mas somou-se a esta configuração o estilo ‘bateu, levou’, de Pimenta, e dois competidores (Jaguarão e Cardoso) com agendas e campanha de rua que ninguém enxerga. Mas que, sempre que podem, atuam como franco-atiradores, à esquerda e à direita.

Ao final, a corrida, já ‘carregada’, ganhou um último ingrediente. Após o capital político de Rigotto lhe proporcionar uma arrancada que gerou temor na dobradinha Sanderson/Van Hattem, exércitos digitais desencadearam nas redes uma ofensiva para tentar ‘liquidar’ com as chances do emedebista. Tão intensa que, entre equipes das campanhas, ganhou o apelido de ‘ataque cibernético’.

Não bastasse o cenário conturbado, a eleição para o Senado tem um formato diferente de todos os demais. E que inclui, neste ano, em todos os estados e no Distrito Federal, a disposição de duas cadeiras em jogo, que resultará em uma renovação parcial, de dois terços, da Casa Legislativa. O terço restante disputará as próximas eleições gerais, em 2030, quando, ao invés de dois, será escolhido um senador em cada estado. Em resumo, o Senado não troca todos os seus integrantes ao mesmo tempo e seus 81 membros, ao contrário de todos os demais detentores de mandatos eletivos, permanecem na cadeira por oito anos ao invés de quatro.

O modelo acaba mesmo por confundir parte do eleitorado, mas tem motivos nobres, como a garantia da manutenção da estabilidade democrática. A renovação alternada foi pensada para, entre outros pontos, assegurar direitos de minorias políticas, minimizar a formação de conchavos, evitar que debates que tratam de questões complexas acabem contaminados por disputas pontuais e impedir que grupos radicais consigam dominar a Casa em função do clima político de um processo eleitoral específico.

A ordem de votação na urna também não facilita para o eleitor. As duas escolhas para o Senado estão no meio de uma lista na qual, para todos os outros cargos, só existe uma opção. Se, ao votar para senador, o eleitor escolher o mesmo nome nas duas opções, vai anular o segundo voto. E, se não tiver atenção, ficar em dúvida, ou com pressa, pode acabar deixando o segundo voto em branco.

Para além do formato único, a composição do Senado, até então uma casa legislativa com a qual a população tinha pouca familiaridade, apesar de sua importância, adquiriu, desde 2015, cada vez mais peso na definição dos rumos do país. Foi a partir daquele ano que o Congresso passou a controlar fatias cada vez maiores do orçamento. Inicialmente, através da instituição das chamadas emendas impositivas, mecanismo que tornou obrigatória, por parte do Executivo, a execução de emendas parlamentares individuais.

O processo se consolidou em 2019 e 2022, com novas obrigatoriedades dando ainda mais poder aos congressistas. E que, em função da falta de transparência e de sucessivas denúncias sobre ilegalidades e desvios, geraram questionamentos e investigações que foram parar no Supremo Tribunal Federal (STF). Ato contínuo, uma parcela de políticos e partidos passou a hostilizar a Corte, investindo na banalização da possibilidade de impeachment de seus ministros, um processo que só pode ser aberto justamente pelo presidente do Senado.

A disputa por valores bilionários, contudo, não foi o único fator a acirrar as corridas para a Câmara Alta. Incomodado com os sucessivos freios que lhe foram impostos pelo STF, o bolsonarismo encampou com força a bandeira do impeachment de ministros da Corte, e trabalha desde a eleição passada para fazer maioria no Senado, definir seu presidente e, assim, levar a cabo as alterações que pretende na Corte.

Turbinado financeiramente, e por isso bem menos dependente do poder Executivo, e ciente das possibilidades de ter seu poder aumentado também frente ao Judiciário, o Senado passou a fazer valer com empenho crescente algumas das competências exclusivas que lhe são conferidas pela Constituição de 1988. Cabe aos senadores, e só a eles, processar e julgar nos crimes de responsabilidade não apenas ministros do STF, mas, também, o presidente e o vice-presidente da República, ministros de Estado, comandantes das Forças Armadas, membros dos conselhos nacionais de Justiça e do Ministério Público, o procurador-geral da República (PGR) e o advogado-geral da União (AGU).

São os senadores, ainda, que aprovam ou não a escolha de uma série de ocupantes de cargos-chave do Executivo e do Judiciário, como, de novo, os integrantes do STF, do Tribunal de Contas da União (TCU), o PGR, o presidente do Banco Central e embaixadores. Eles também fixam os montantes globais da dívida pública e autorizam empréstimos externos para a União, estados, municípios e o Distrito Federal.