
Um grupo investigado por comercializar armas e munições ilegalmente foi alvo da Operação Mercador, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia na manhã desta segunda-feira, teve ramificação em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul. A ação apura um esquema que, segundo as investigações, utilizava documentos falsificados para obter registros de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC), adquirir armamentos e posteriormente revendê-los de forma clandestina.
Além do Rio Grande do Sul, foram cumpridos mandados na Bahia, no Rio de Janeiro e no Ceará. Ao todo, oito pessoas foram presas e 25 mandados de busca e apreensão foram cumpridos, conforme a Polícia Civil baiana. A Justiça também autorizou o bloqueio de até R$ 100 milhões em bens e valores dos investigados.
Em Santa Maria, a Polícia Civil gaúcha atuou no cumprimento de um mandado de busca. Conforme o delegado regional de Santa Maria, Sandro Luis Meinerz, a participação ocorreu como apoio à investigação conduzida pelas polícias civis da Bahia e do Rio de Janeiro.
Durante a ação, armas foram apreendidas. Conforme Meinerz, o detalhamento da ação no Estado não será divulgado pela Polícia Civil gaúcha, já que a operação foi conduzida pelas autoridades baianas.
De acordo com as investigações, os integrantes do grupo utilizavam documentação fraudulenta, incluindo laudos psicológicos, comprovantes de residência e vínculos de trabalho fictícios, para obter registros de CAC. A partir dos certificados, adquiriam armas e munições que posteriormente eram desviadas para o mercado clandestino.
A apuração identificou, ainda, armas relacionadas ao esquema que acabaram apreendidas em poder de integrantes de organizações criminosas. Entre os armamentos citados pelas polícias estão fuzis, carabinas e pistolas de diferentes calibres. Segundo a investigação, parte do material teria como destino grupos envolvidos com o tráfico de drogas e outros crimes violentos, incluindo membros do Bonde do Maluco (BDM) e do Comando Vermelho (CV), facções com base no Rio de Janeiro e atuação em diversos outros estados.
A estrutura investigada teria divisão de tarefas entre os integrantes, desde a obtenção dos registros e aquisição dos armamentos até a circulação e venda clandestina. A polícia também apura a lavagem dos valores obtidos com o comércio ilegal.
Relatórios financeiros analisados durante a investigação apontaram movimentações superiores a R$ 100 milhões relacionadas aos investigados e a empresas ligadas ao grupo. A Justiça determinou o bloqueio de até esse valor em bens e valores.
Entre os presos está um casal residente no Rio de Janeiro, apontado pela Polícia Civil da Bahia como responsável pela liderança do esquema. No Ceará, um dos investigados, que já ocupou os cargos de vice-prefeito e vereador, é apontado como responsável pela lavagem dos recursos obtidos com a comercialização ilegal dos armamentos.
A operação apreendeu cinco veículos, nove celulares, três notebooks, três armas de fogo, munições, R$ 5 mil em espécie e documentos, segundo a Polícia Civil da Bahia.