
Começou na manhã de quinta-feira, no Foro de Tramandaí, o julgamento de quatro acusados de participação no homicídio da cabeleireira Návia Regina Christan, de 46 anos. Ela foi morta a tiros dentro do próprio salão de beleza, em novembro de 2018. A previsão é de que o júri prossiga até esta sexta-feira.
Silvana Cristan, irmã da vítima, e Joares Antônio Pellinson, cunhado de Návia, respondem por homicídio qualificado por motivo fútil e pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Rosane de Lima Araújo e Robsom Araújo de Moraes Soares são acusados de homicídio qualificado mediante paga ou promessa de recompensa e recurso que dificultou a defesa.
Segundo a acusação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), desavenças familiares e a suspeita de que Návia estaria provocando prejuízos financeiros a um familiar estariam relacionadas ao crime. A Promotoria sustenta que os quatro réus participaram do planejamento e da articulação para contratar os responsáveis pela execução. Dois homens apontados como executores já foram julgados e condenados.
Durante o primeiro dia de julgamento, o delegado Alexandre Souza apresentou aos jurados a cronologia da investigação e os elementos reunidos no inquérito. Ele assumiu a Delegacia de Polícia de Tramandaí em junho de 2021 e relatou que, naquele momento, a investigação já trabalhava com a hipótese de execução.
Návia já havia sobrevivido a uma tentativa de homicídio em 26 de outubro de 2017, quando foi baleada dentro de casa. O ataque deixou sequelas permanentes, entre elas a perda da visão de um dos olhos. Pessoas envolvidas na organização e execução daquele atentado foram julgadas e condenadas pelo Tribunal do Júri em março de 2025.
Em 5 de novembro de 2018, a cabeleireira sofreu um novo ataque. Um homem entrou no salão onde ela trabalhava se passando por cliente e efetuou os disparos que provocaram sua morte. Dois homens apontados pela investigação como responsáveis pela execução foram condenados em 2022.
O julgamento dos quatro acusados é presidido pelo juiz de Direito Gilberto Pinto Fontoura, da 1ª Vara Criminal de Tramandaí. A sessão estava prevista inicialmente para julho, mas foi remarcada após a defesa de dois réus solicitar o desmembramento do processo. O pedido foi negado pela Justiça, que decidiu pela análise conjunta das condutas atribuídas aos acusados.