
Receber uma ligação urgente do suposto gerente do banco, uma mensagem de um familiar pedindo dinheiro ou um boleto aparentemente legítimo são situações cada vez mais presentes na rotina digital dos brasileiros. Para o público da maturidade, que muitas vezes teve sua trajetória marcada por relações de confiança construídas fora do ambiente virtual, reconhecer golpes tornou-se uma habilidade essencial para navegar com mais tranquilidade pela tecnologia.
É justamente essa autonomia consciente que está no centro do curso Informática e Interação com Smartphones para Maturidade, do Senac Distrito Criativo.
Voltada para pessoas com mais de 50 anos, a formação presencial ensina desde o uso do computador e do smartphone até ferramentas de comunicação, redes sociais, armazenamento de arquivos e práticas de segurança digital, mostrando que a tecnologia pode ser uma aliada da independência quando utilizada de forma segura.
Segundo o coordenador da área de Gestão e docente do curso na escola, Maikell Guma dos Santos, aprender sobre segurança digital significa muito mais do que conhecer golpes: representa recuperar a confiança para utilizar os recursos disponíveis sem abrir mão da prevenção. “A segurança digital para a maturidade oferece ferramentas para identificar golpes e compreender como agir diante de situações suspeitas.
Entender esses mecanismos é ter liberdade consciente para fazer o que se deseja conhecendo formas mais seguras de fazer”, destaca.
Para o docente, existe um desafio particular nesse processo. Muitas pessoas acima dos 50 anos cresceram em uma sociedade em que a confiança era um valor predominante nas relações cotidianas. No ambiente digital, entretanto, essa lógica precisa ser equilibrada com atenção e senso crítico.
“O público da maturidade quer confiar, mas hoje também precisa aprender a desconfiar. É exatamente nesse ponto que a segurança digital devolve, de certa forma, essa confiança, porque a pessoa passa a saber identificar riscos e tomar decisões com mais segurança”, explica Maikell.
Entre os conteúdos trabalhados durante as aulas está a identificação dos principais tipos de golpes praticados atualmente. O chamado golpe do falso familiar, a falsa central de segurança, o falso gerente do banco, links fraudulentos e diferentes modalidades envolvendo boletos, investimentos, leilões e cobranças de dívidas fazem parte das situações discutidas com os alunos por meio de exemplos práticos.
Embora existam diversas estratégias utilizadas pelos criminosos, Maikell destaca que um comportamento costuma se repetir em praticamente todas elas: a tentativa de provocar uma reação imediata. “A urgência é o primeiro sinal de alerta. É aquela ligação inesperada ou mensagem dizendo que algo precisa ser resolvido imediatamente. Minha dica é simples: respire, conte até dez e pense antes de agir. Esse pequeno intervalo já ajuda muitas pessoas a perceberem que existe algo diferente da situação normal”, orienta.
Outro exemplo frequente são mensagens que ameaçam o bloqueio do CPF, de contas bancárias ou de cartões caso determinada ação não seja realizada em poucos minutos. Normalmente, essas comunicações direcionam a vítima para um link falso. Da mesma forma, ligações em nome de instituições financeiras devem despertar atenção. “Banco não pede senha por telefone. Se alguém ligar dizendo ser seu gerente, desligue. Abra o aplicativo oficial do banco, entre em contato pelos canais oficiais ou vá até a agência conversar com seu gerente.
Nunca resolva esse tipo de situação pelo contato que chegou até você”, reforça o docente.
Senhas também fazem parte da proteção
Além de reconhecer tentativas de fraude, os alunos aprendem práticas importantes para proteger suas informações pessoais.
O gerenciamento de senhas é um dos temas abordados durante a formação, especialmente porque muitos usuários ainda repetem a mesma combinação em diferentes serviços.
De acordo com Maikell, o primeiro cuidado é nunca compartilhar senhas com outras pessoas. Também é importante utilizar senhas diferentes e evitar combinações muito previsíveis, principalmente em serviços sensíveis como aplicativos bancários e plataformas governamentais. “Se a pessoa precisar anotar uma senha, que seja em uma caderneta guardada em casa, em um local seguro. Jamais leve essas informações junto do celular, na carteira ou na bolsa junto com os cartões bancários”, salienta.
Durante as aulas, os estudantes também compreendem como funcionam backups, controles de acesso e formas de proteger os dados armazenados no próprio dispositivo, tornando o smartphone uma ferramenta mais segura para as atividades do cotidiano.
Outra orientação reforçada pelo docente é evitar agir diante de qualquer solicitação duvidosa. Com o avanço da tecnologia, criminosos utilizam recursos cada vez mais sofisticados para criar mensagens, sites e até vozes semelhantes às de pessoas e instituições verdadeiras, dificultando a identificação imediata de uma fraude.
Por isso, a recomendação é interromper a ação antes de fornecer dados, realizar pagamentos ou clicar em links recebidos inesperadamente. “Nem sempre é simples verificar se uma solicitação é verdadeira.
Hoje existem muitos recursos tecnológicos capazes de enganar. Por isso, a orientação que gera menos prejuízo é sempre a mesma: na dúvida, não ultrapasse. Em segurança digital isso significa não clicar, não pagar e não acessar”, afirma.
Caso a pessoa perceba que caiu em um golpe, a rapidez na reação pode fazer diferença para reduzir os danos. O docente recomenda priorizar imediatamente o bloqueio dos acessos comprometidos, além de comunicar bancos, operadoras e registrar ocorrência junto aos órgãos de segurança.
Embora a segurança digital seja um dos pilares da formação, o curso do Senac Distrito Criativo vai muito além da prevenção a fraudes. Ao longo das 84 horas de aulas, os participantes desenvolvem habilidades para utilizar computadores com Windows, navegar na internet, conversar com amigos e familiares, utilizar WhatsApp, Instagram e Facebook, tirar fotos, gravar vídeos simples, organizar arquivos no Drive e gerenciar o armazenamento do smartphone.
As atividades são realizadas no próprio aparelho dos alunos, permitindo que cada participante aprenda diretamente na ferramenta que faz parte da sua rotina.
“Muitas pessoas chegam até nós dizendo que querem aprender a mexer no celular para não depender mais dos filhos ou dos netos. Elas saem com muito mais do que isso. Trabalhamos com turmas reduzidas e um atendimento personalizado, respeitando o ritmo e a necessidade de cada aluno. Todas as aulas retomam conteúdos anteriores para reforçar a memorização e transformar o aprendizado em prática cotidiana”, destaca Maikell.
Para ele, o principal resultado percebido ao final da formação não está apenas no domínio das funções do smartphone, mas na mudança de postura diante da tecnologia. “Os alunos saem com a confiança retomada e entendendo que podem fazer quase tudo pelo celular, desde que façam isso de maneira segura.
Nosso papel é justamente mostrar esses caminhos, evidenciando a segurança e ensinando como se proteger para aproveitar todos os benefícios que a tecnologia oferece”, conclui.
Curso: Informática e Interação com Smartphones para Maturidade
Carga horária: 84 horas
Público: pessoas com mais de 50 anos
Modalidade: presencial
Local: Senac Distrito Criativo (Rua Cristóvão Colombo, 545 – Floresta)
Aulas: segundas e quartas-feiras, das 14h às 17h
Início das aulas: 31 de agosto
Inscrições: pelo site ou na escola