
A Polícia Civil indiciou o ex-companheiro da professora Gloria Werkhausen, de 43 anos, pelos crimes de feminicídio, com a qualificadora de asfixia, ocultação de cadáver e incêndio doloso. Gloria foi encontrada morta em incêndio na própria residência, na noite de domingo, 12 de julho, no bairro Floresta, em Constantina, no Norte do Estado.
Segundo a investigação, Marcio Oliveira dos Santos, de 52 anos, teria asfixiado a ex-companheira e colocado fogo na casa dela para ocultar o cadáver, que foi parcialmente carbonizado no incêndio. A investigação aponta que o homem ficou apenas 40 minutos na residência. Ele foi preso quatro dias após o crime e está no Presídio Estadual de Sarandi.
A investigação também conseguiu reconstituir os deslocamentos realizados pelo suspeito no dia do feminicídio. O percurso, desde o momento em que saiu de casa até o trajeto para a residência da vítima e o caminho de volta, foi reconstruído a partir de imagens do sistema de videomonitoramento e de vestígios digitais. As peças que ele vestia durante o feminicídio nunca foram encontradas.
De acordo com o delegado Cristiano de Bone, responsável pelo inquérito, que foi remetido ontem, o homem não confessou o crime, mas a investigação identificou ameaças à vítima. No dia de sua morte, Gloria teria relatado à irmã uma atitude de perseguição por parte do ex-companheiro.
“Várias testemunhas relataram as ameaças e perseguições que ela vinha sofrendo, inclusive no dia do crime”, disse o delegado, que conta que, mesmo com o histórico de violência relatado pelas testemunhas, não havia registros oficiais contra o suspeito na polícia.
O casal teve um relacionamento por 25 anos e estava separado havia cerca de quatro meses. Eles tiveram um filho juntos, que tem 21 anos e não estava em casa no momento do crime.
Os relatos de mais de 10 testemunhas ouvidas pela Polícia Civil indicam que o relacionamento entre o suspeito e a professora havia chegado ao fim em meio a um “contexto conturbado e conflituoso, marcado por reiterados comportamentos de controle, perseguição e violência psicológica praticados contra a vítima”, explicou o delegado.
Entre os comportamentos do homem, o delegado cita o envio repetido de mensagens e fotos e as idas de surpresa à casa da ex-companheira, sem ser convidado.