
Um projeto que nasceu em meio às limitações impostas pela pandemia se transformou em uma rede permanente de solidariedade em Caxias do Sul. O Mãos que Ajudam, iniciativa ligada à Associação de Dirigentes Cristãos de Empresa (ADCE) Caxias do Sul, reúne empresários, voluntários e integrantes da comunidade na arrecadação de alimentos destinados a pessoas em situação de vulnerabilidade.
Em entrevista ao Acontece no RS, José Luiz Facchin, coordenador do projeto, contou como a iniciativa surgiu, apresentou números do trabalho desenvolvido em conjunto com o Banco de Alimentos de Caxias do Sul e fez um chamado para que mais pessoas participem das ações voluntárias. Facchin afirma que integra a ADCE desde 2009 e está envolvido com projetos da entidade desde 2010.
O Mãos que Ajudam surgiu em 2021, quando as restrições da pandemia impediam a realização das atividades presenciais tradicionais. Segundo Facchin, integrantes da ADCE começaram a discutir, durante uma reunião online, de que maneira poderiam continuar ajudando a população em um período no qual a necessidade por alimentos havia aumentado.
A resposta foi organizar campanhas de arrecadação em supermercados. A primeira grande mobilização ocorreu em cinco estabelecimentos e, conforme relatado pelo coordenador durante a entrevista, conseguiu arrecadar cerca de cinco toneladas de alimentos em um único fim de semana.
Com o crescimento da iniciativa, o projeto se aproximou do Banco de Alimentos de Caxias do Sul. A união das duas frentes ocorreu em 2022 e permitiu ampliar a estrutura e o alcance das arrecadações.
Atualmente, Facchin afirma coordenar, por meio da ADCE, a mobilização em 12 supermercados, enquanto as ações do Banco de Alimentos abrangem cerca de 40 estabelecimentos, contando também com a participação de outras organizações e grupos de voluntários.
Um dos principais momentos dessa mobilização é o Sábado Solidário, realizado mensalmente. Na edição mencionada durante a entrevista, aproximadamente 11 toneladas de alimentos foram arrecadadas em 40 supermercados, em uma operação que mobiliza mais de 200 voluntários.
Segundo Facchin, o Banco de Alimentos atende 132 entidades todos os meses e está relacionado ao fornecimento de cerca de 14 mil refeições diárias. Além da distribuição dos alimentos, a estrutura conta com nutricionistas e promove orientação para o melhor aproveitamento dos produtos pelas entidades atendidas.
Outra frente destacada na conversa é o aproveitamento de alimentos provenientes da produção agrícola da região. Em períodos de grande produção de frutas, agricultores disponibilizam produtos para que sejam recolhidos e destinados à distribuição.
Facchin também citou a chamada Troca Solidária, ação na qual materiais recicláveis podem ser trocados por alimentos nos bairros. Conforme explicado na entrevista, são entregues kits e a relação utilizada na ação é de 10 quilos de resíduos seletivos para um quilo de alimento.
Durante a entrevista, Facchin explicou que a ADCE Caxias do Sul reúne empresários, profissionais liberais e lideranças e desenvolve diferentes projetos voltados à comunidade.
Entre eles está o Tá na Mesa, jantar beneficente realizado anualmente. Segundo o entrevistado, a edição deste ano deve reunir cerca de 700 pessoas e beneficiar mais de 20 entidades. Os recursos obtidos com os ingressos são destinados aos projetos selecionados, enquanto os custos do jantar são cobertos por patrocínios.
Facchin estima ainda que mais de 10 mil jovens já tenham sido alcançados pelo trabalho desenvolvido ao longo dos anos, especialmente pelas iniciativas relacionadas ao Tá na Mesa.
Apesar da estrutura já existente, ampliar o número de voluntários continua sendo um dos principais desafios do Mãos que Ajudam.
Facchin destacou que qualquer pessoa interessada pode procurar a ADCE ou o Banco de Alimentos para conhecer as possibilidades de participação. Para ele, o voluntariado também provoca uma transformação em quem decide dedicar parte do próprio tempo ao próximo.
“Seja um voluntário. Vai fazer bem para você”, afirmou Facchin durante a entrevista.
O coordenador também lançou um desafio simples à população: durante o Sábado Solidário, quem encontrar voluntários arrecadando produtos na entrada dos supermercados pode contribuir com apenas um quilo de alimento. Na avaliação dele, uma adesão maior dos consumidores poderia multiplicar significativamente o volume arrecadado.
O Sábado Solidário ocorre uma vez por mês, normalmente no primeiro ou no segundo sábado, dependendo do calendário de cada edição.
Na conversa com o Acontece no RS, José Luiz Facchin detalha a origem do Mãos que Ajudam, explica o funcionamento das arrecadações, apresenta o trabalho realizado em conjunto com o Banco de Alimentos e fala sobre a importância de ampliar a participação da comunidade.
Ao encerrar a entrevista, Facchin reforçou o convite para que novas pessoas conheçam as ações e participem do voluntariado. Segundo ele, uma das maiores necessidades atualmente é justamente aumentar o número de pessoas disponíveis para colaborar nas edições do Sábado Solidário.