
As chuvas excessivas, os ventos fortes e o granizo registrados na segunda quinzena de julho provocaram perdas expressivas na agropecuária gaúcha, atingindo 30.007 propriedades rurais em 101 municípios e resultando em 143,4 mil toneladas de perdas nos principais grupos produtivos, segundo balanço da Emater/RS-Ascar. Entre as principais culturas afetadas estão o tabaco, com 40 mil toneladas perdidas; o trigo, com 19,6 mil toneladas; e a canola, com 7,8 mil toneladas. Na pecuária leiteira, 2,38 milhões de litros deixaram de ser comercializados em razão dos efeitos do temporal.
A análise da empresa de assistência técnica mostrou que houve ainda danos à infraestrutura, incluindo 18 mil quilômetros de estradas vicinais afetadas, o que prejudicou o escoamento da produção e o acesso a serviços essenciais. Outro problema apontado foi a contaminação de 173 fontes de água, deixando mais de 1,2 mil famílias desabastecidas. A capacidade de estocagem também foi prejudicada pelas perdas em 207 armazéns e silos no Estado.
Das frutas, os citros foram os que sofreram mais com o clima, somando perdas de 6.890 toneladas, concentradas principalmente na cultura de laranja (5.725,75 t) e de bergamota (1.162,33 t). O número de produtores afetados chegou a 493, representando 99,8% do total.
Na olericultura, que reúne hortaliças, legumes e verduras, os maiores prejuízos ocorreram nos tubérculos e raízes, com perdas de 38 mil toneladas. Segundo a Emater/RS-Ascar, a pecuária apresentou menor abalo em comparação com outras cadeias, apesar da morte de 43 bovinos de corte, 25 bovinos de leite e 51 suínos.
Na piscicultura, houve a perda de 17,40 toneladas de peixes devido ao excesso de precipitações e enxurradas, afetando diretamente 39 produtores.
A atividade leiteira também foi significativamente afetada em razão da interrupção logística em aproximadamente 18 mil quilômetros de estradas rurais danificadas pelos eventos climáticos. Além disso, o excesso de umidade dificultou o acesso interno aos resfriadores, o que prejudicou as coletas de leite.
“As restrições de acesso às propriedades impediram o escoamento da produção, somando-se à falta de energia elétrica para a manutenção da refrigeração, o que resultou em 192.806 litros de leite por dia não coletados e em um volume acumulado de 2.382.710 litros não comercializados”, informou o relatório da Emater.
Esse total corresponde a cerca de 12 dias de coleta diária comprometida. Ao todo, 1.788 produtores foram afetados.
O excesso de chuvas também prejudicou as pastagens cultivadas e o desenvolvimento vegetativo. Mais de 100 mil hectares de pastagens (nativas e cultivadas) foram afetados, com perdas médias de produtividade em torno de 26%.
“Esse cenário compromete a alimentação dos rebanhos no curto prazo e pode agravar a situação da pecuária nos próximos meses e exige um planejamento para a suplementação alimentar, que aumenta o custo de produção da atividade. Os cultivos de cereais de inverno para a elaboração de silagem e pré-secado também tiveram perdas relatadas”, disse a Emater/RS-Ascar.
Após a fase emergencial, a empresa de assistência técnica entende que o atual momento exige esforços na avaliação dos danos e no planejamento das ações de recuperação. “A recomposição das condições de vida das famílias afetadas deve constituir a prioridade, seguida pela recuperação da capacidade produtiva das propriedades rurais, buscando restabelecer a autossuficiência econômica dos produtores e a continuidade das atividades agropecuárias”, informou a Emater/RS-Ascar.