
O Rio Grande do Sul voltou a registrar a ocorrência de um tornado nesta semana, reforçando uma característica pouco conhecida: o Estado está entre as regiões do planeta com maior propensão à formação desse tipo de fenômeno atmosférico. O episódio atingiu municípios do noroeste gaúcho, provocando feridos e deixando um rastro de destruição.
Os tornados são colunas de ar em intensa rotação que se estendem da base de uma nuvem de tempestade até o solo. Eles se formam quando há uma combinação de fatores, como forte instabilidade atmosférica, elevada umidade, correntes ascendentes intensas e mudanças na direção e na velocidade dos ventos em diferentes altitudes. Dependendo da intensidade, podem provocar danos severos em poucos minutos.
Especialistas apontam que o Rio Grande do Sul integra o chamado Corredor de Tornados da América do Sul, uma área considerada a segunda mais favorável do mundo para a ocorrência desse tipo de fenômeno, atrás apenas da região central dos Estados Unidos.
Entre os principais fatores que favorecem a formação de tornados no Estado estão:
Não existe um levantamento oficial que contabilize todos os tornados registrados no país. A ausência de uma base nacional faz com que pesquisadores e grupos independentes realizem esse monitoramento.
Um estudo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) identificou 581 tornados no Brasil entre 1975 e 2018, sendo 411 na Região Sul. Desse total, 180 ocorreram no Rio Grande do Sul, o equivalente a cerca de 44% dos registros da região.
A previsão exata ainda é um dos maiores desafios da Meteorologia. Como os tornados se desenvolvem muito rapidamente e afetam áreas bastante localizadas, não é possível indicar com antecedência qual cidade será atingida.
Os meteorologistas conseguem identificar regiões com condições favoráveis para tempestades severas, mas não determinar precisamente onde e quando um tornado irá tocar o solo.
Segundo especialistas, ainda não há evidências científicas suficientes para afirmar que as mudanças climáticas estejam aumentando a frequência dos tornados no Brasil. Embora alterações no clima possam modificar padrões atmosféricos, são necessários mais estudos e séries históricas consistentes para estabelecer essa relação.
Apesar de serem frequentemente confundidos, os três fenômenos possuem características distintas:
Com a frequência de tempestades severas no Sul do Brasil, especialistas reforçam a importância de acompanhar os alertas meteorológicos e as orientações da Defesa Civil sempre que houver previsão de tempo severo.