
Dos três adultos presos em flagrante durante a tentativa de furto ao Banco do Brasil de Ivoti, apenas um teve a prisão preventiva mantida pela Justiça. Os outros dois foram colocados em liberdade, conforme revelou o delegado André Serrão durante entrevista ao programa Tá na Hora desta segunda-feira (27).
Segundo o delegado, a Polícia Civil pretende reunir novos elementos ao longo da investigação e solicitar a reconsideração da decisão. O Deic dispõe de dez dias para concluir o inquérito relacionado ao suspeito que permanece preso.
“Dos três suspeitos, o Poder Judiciário manteve a prisão preventiva de apenas um. Em relação aos outros dois, deferiu a liberdade. Vamos tentar reverter isso ao longo da investigação e acreditamos que conseguiremos a reconsideração”, afirmou.
Serrão é titular da Delegacia de Repressão ao Roubo e Furto de Cargas e atualmente substitui o comando da 1ª Delegacia de Roubos do Departamento Estadual de Investigações Criminais. Ele já comandou a Delegacia de Homicídios e a 2ª Delegacia de Polícia de São Leopoldo.
Os adultos foram autuados por tentativa de furto qualificado, associação criminosa e corrupção de menores. O último delito está previsto no artigo 244-B do Estatuto da Criança e do Adolescente para situações em que um adulto pratica uma infração penal com uma pessoa menor de 18 anos ou a induz a participar.
A informação sobre a movimentação criminosa chegou à Polícia Civil na manhã de sábado (25), por meio de um agente da 3ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo. Como a equipe já acompanhava um ataque ocorrido em junho contra uma agência bancária de Sapiranga, o caso foi encaminhado à 1ª Delegacia de Roubos do Deic.
Ao chegar ao Banco do Brasil de Ivoti, os investigadores constataram que a grade lateral havia sido arrombada e que a porta da agência apresentava um corte. Os suspeitos haviam entrado entre a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado, mas deixaram o local sem chegar ao dinheiro.
A polícia decidiu manter a descoberta sob sigilo porque considerava provável o retorno do grupo.
“Normalmente, nesse tipo de ação, eles fazem o acesso durante o dia e retornam à noite ou no dia seguinte para concluir a subtração. É uma logística complexa para entrar na agência e cortar o cofre”, explicou Serrão.
Durante o sábado, os investigadores identificaram suspeitos retornando às proximidades para verificar se a invasão havia sido descoberta. Por volta das 21h45, um veículo foi posicionado mais afastado da agência, enquanto três integrantes entraram novamente no prédio.
Um dos adultos permaneceu no carro como olheiro, acompanhando a movimentação nas proximidades e repassando informações aos demais. Os outros três — dois adultos e o adolescente de 16 anos — acessaram o banco.
As equipes do Deic se deslocaram de Porto Alegre para Ivoti e montaram o cerco. Os três encontrados dentro da agência foram presos pelos policiais civis. O homem que estava no veículo foi localizado pela Brigada Militar.
Dentro da agência, o grupo montou uma estrutura improvisada com caixas e folhas de papelão. Segundo Serrão, o material formava uma espécie de túnel para esconder os criminosos durante a aproximação até o cofre.
O objetivo, conforme a investigação, era dificultar a detecção pelos sensores de movimento e calor instalados no banco.
“Os três entraram na agência para terminar aquele túnel de papelão. A função era evitar que os equipamentos captassem o movimento e o calor das pessoas, impedindo o disparo do alarme enquanto eles tentavam chegar ao cofre”, detalhou.
A intervenção não ocorreu imediatamente porque havia poucos agentes no monitoramento inicial e as demais equipes ainda precisavam viajar de Porto Alegre até Ivoti. A polícia também considerou que o corte do cofre demandaria tempo, permitindo a organização do cerco.
Nenhuma arma de fogo foi encontrada. Foram apreendidos celulares, chave de fenda, maçarico, discos de corte, luvas e outros materiais apontados como instrumentos da tentativa de furto, além dos veículos utilizados na operação.
O adolescente participou da entrada na agência. Depois de ser encaminhado à Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento de Novo Hamburgo, foi entregue à mãe. De acordo com Serrão, a liberação ocorreu porque o ato infracional investigado não envolveu violência ou grave ameaça.
O Deic investiga se o grupo está relacionado ao ataque registrado em junho contra uma agência bancária de Sapiranga. A suspeita é de que outras pessoas possam integrar a organização e permanecer em liberdade.
“Acreditamos que existam mais suspeitos ligados a essa organização e que possam continuar praticando esse tipo de delito. A investigação seguirá para identificar os demais autores”, adiantou Serrão.
O delegado ressaltou que a operação foi planejada para evitar riscos à população de Ivoti. A polícia buscou reunir um efetivo numericamente superior antes de entrar na agência, reduzindo a possibilidade de confronto ou fuga pelas ruas.
“Precisávamos garantir a efetividade da ação sem causar um transtorno maior à população. Foi necessário agir de maneira cirúrgica, considerando as características do município”, explicou.
A entrevista trouxe novos detalhes sobre a operação divulgada inicialmente no domingo pelo Portal Berlinda, quando foram confirmadas as três prisões e a apreensão do adolescente. Agora, o trabalho se concentra na tentativa de restabelecer as prisões dos dois adultos liberados e identificar outros possíveis participantes.